Douglas Ruas propõe ajuste fiscal nas contas do RJ após verba parlamentar
Deputado do PL apresentou proposta que pode elevar emendas em até sete vezes no Rio e, semanas depois, criou comissão para conter gastos do estado

Três semanas após apresentar uma proposta de emenda à Constituição do Estado do Rio de Janeiro (PEC) para aumentar em até sete vezes os recursos destinados às emendas parlamentares, o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), anunciou a criação de uma comissão especial para conter gastos públicos.
Atualmente, o Rio de Janeiro possui a segunda maior dívida pública com a União entre as unidades federativas, estimada em cerca de R$ 237 bilhões — valor equivalente a 217% da receita estadual. Para 2027, o estado projeta um déficit de R$ 13 bilhões, além de novos déficits bilionários nos anos seguintes.
A proposta de emenda à Constituição estadual enviada por Douglas Ruas em abril prevê um impacto de R$ 1,5 bilhão já no próximo ano, ampliando a pressão sobre as contas públicas e a crise fiscal do estado.
Hoje, cada deputado estadual dispõe de R$ 3 milhões anuais em emendas parlamentares para destinar a projetos. Pela proposta apresentada por Ruas, esse valor poderá chegar a R$ 22 milhões por parlamentar.
Nesta quarta-feira (13), ao anunciar a criação da comissão voltada à contenção de gastos, Douglas Ruas, ex-secretário estadual das Cidades, afirmou que a Alerj errou ao aprovar, ao menos, os três últimos orçamentos do Rio de Janeiro.
"Essa comissão terá a missão de fazer um diagnóstico aprofundado das contas públicas e identificar caminhos para conter despesas, corrigir distorções e garantir maior responsabilidade fiscal, contribuindo para que o estado avance com equilíbrio e planejamento", disse o presidente da Casa.
A CNN entrou em contato com a Alerj para saber em que fase está a tramitação da PEC na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Também solicitou posicionamento de Douglas Ruas sobre a proposta de ampliação das verbas parlamentares e, ao mesmo tempo, a criação de uma comissão para corte de gastos. Até o momento, não houve retorno.


