É difícil a terceira via emplacar a essa altura, avalia cientista político

Falando à CNN, Cláudio Couto, professor da Fundação Getulio Vargas, vê maior parte do eleitorado já definido entre Lula e Bolsonaro

Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV)
Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) CNN

Vinícius TadeuFelipe Romeroda CNN

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A definição da candidatura da chamada terceira via para as eleições presidenciais pode ter demorado demais, de acordo com o cientista político Cláudio Couto, da FGV. “É muito difícil mudar o rumo das eleições a essa altura, já há um cenário muito consolidado com mais de 80% dos eleitores convictos em votar em Lula (PT) ou Bolsonaro (PL), segundo as pesquisas.”

Para Couto, a tendência é que aconteça justamente o contrário: “Conforme nos aproximarmos da eleição é possível que eleitores que hoje estão com candidatos da chamada terceira via migrem para uma das duas alternativas e façam chamado voto útil ou estratégico. Quer dizer, o candidato ideal não tem condições, ele vai para a segunda ou terceira opção, vota para evitar que o candidato que ele goste menos seja eleito”, explica.

“Ao se colocar como negativa a terceira via deixa de dizer quem é, quais são os projetos e propostas”, afirma o professor.

“Quem fala de projetos e ideias e que tenta se perfilar junto a essa terceira via, embora não se apresente dessa forma, é Ciro Gomes (PDT). Mas mais de 60% de seus eleitores declaram que ainda podem mudar seu voto”, destaca Couto, citando as pesquisas eleitorais.

O cientista político avalia que a estratégia dos partidos que compõem a terceira via de negar “dois extremos” não tem funcionado junto ao eleitorado: “As pesquisas mostram que não cola com o eleitor. Pela negação já há os dois primeiros colocados nas pesquisas”, avalia. “Quem é anti-lula votará em Bolsonaro e quem é anti-Bolsonaro votará em Lula, então aí já existem negativas muito mais fortes do que os demais candidatos”, completa.

Campanhas

Os movimentos de Bolsonaro e Lula para furar suas bolhas eleitorais nas últimas semanas parecem render mais para o atual presidente, avalia o cientista político: “Enquanto Bolsonaro ficou mais comedido em relação ao discurso antivacina e belicoso, Lula tem dificuldade de angariar eleitores mais de centro-direita.”

“Mas Bolsonaro já voltou a atacar o STF, parece que ele tem recaídas, não consegue ficar muito tempo sem investir nesse tipo de ação mais violenta contra instituições e adversários”, pondera Couto. “Ele acaba atrapalhando o trabalho que o Centrão tem feito para amenizar sua imagem”, completa.

Para Couto, uma aliança que poderia levar Lula mais ao centro seria com o PSD, de Gilberto Kassab: “Mas não parece que o PSD vá aderir a nenhuma das duas candidaturas, pelo menos no primeiro turno.”

O cientista político avalia que a chegada de Geraldo Alckmin para a chapa não foi o suficiente para ganhar esses votos: “Ele chega sem um partido, sai com alguns aliados do PSDB mas não leva um partido, ao contrário, ele entra em um campo da esquerda ou da centro esquerda que é o PSB”, conclui.

Debate

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por todas as plataformas digitais.

 

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