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    É impossível fugir sem ajuda externa, diz Jungmann à CNN sobre presídio no RN

    Detentos escalaram uma das luminárias, tiveram acesso ao teto, cortaram a cerca e pularam para realizar a fuga

    Douglas PortoJorge Fernando Rodriguesda CNN*

    São Paulo

    O ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública Raul Jungmann disse, nesta quarta-feira (14), em entrevista à CNN, acreditar que os fugitivos do presídio de segurança máxima em Mossoró (RN) tiveram ajuda externa.

    “Eu que já estive dentro delas [das penitenciárias], eu sinceramente não acredito, com aquele monitoramento, com aquela tecnologia, com aqueles níveis de códigos que existem, que alguém possa fugir sem contar com apoio externo. E esse apoio externo tem que passar pela central de vigilância, que absolutamente tem uma visão pan-óptica de toda a estrutura prisional”, cita Jungmann.

    De acordo com o ex-ministro, as prisões de segurança máxima foram baseadas em detenções dos Estados Unidos, com sua concepção obedecendo dois critérios:

    1. Concentração de todos os criminosos mais violentos
    2. Imposição de prologado isolamento, com os presos não podendo ter contato entre si e com as visitas

    “Lá não existe, por exemplo, o mecanismo da visita íntima. Mesmo para falar com o seu advogado, é preciso que o preso fale através de um vidro, que existe entre os dois, e também através de um microfone”, prossegue.

    Segundo Jungmann, há um monitoramento de 24 horas, inclusive com câmera nas celas. O banho de sol é feito com os detentos algemados.

    “O que preocupa é que essas cinco penitenciárias federais, elas têm lá dentro a cúpula do crime organizado do Brasil. Lá dentro está a cúpula do PCC, do Comando Vermelho, dos Amigos dos Amigos e todas as demais 70 facções que dominam o sistema penitenciário brasileiro”, exemplifica.

    A partir disso, Jungmann cita a preocupação de que exista vulnerabilidade em outras prisões de segurança máxima.

    A fuga

    Deibson Cabral Nascimento (33) e Rogério da Silva Mendonça (35) escaparam do presídio de segurança máxima de Mossoró às 3h17 da madrugada de hoje, apurou a CNN.

    Os fugitivos escalaram uma das luminárias, tiveram acesso ao teto, cortaram a cerca e pularam.

    Ao contrário da penitenciária de Brasília, o presídio de Mossoró não tem uma muralha para contenção.

    As ações de Lewandowski

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, mobilizou ao menos 100 agentes federais para o caso e enviou o secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, com o propósito de realizar a “apuração presencial dos fatos e a tomada das ações cabíveis no âmbito administrativo”, de acordo com um comunicado do ministério.

    Também foi determinado pelo ministro que as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que reúnem agentes federais e estaduais, trabalhem para localizar e prender os foragidos.

    Segundo o comunicado, os nomes dos fugitivos também foram incluídos no Sistema Difusão Laranja, da Interpol, que tem por objetivo alertar autoridades de outros países sobre os riscos iminentes à segurança pública e no Sistema de Proteção de Fronteiras, o que indica que as polícias de outros países possam procurar pelos criminosos.

    O ministério também destacou que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi alertada para realizar o monitoramento das rodovias sob sua jurisdição e qie fosse realizada “uma imediata e abrangente revisão de todos os equipamentos e protocolos de segurança nas cinco penitenciárias federais”, finalizou o comunicado.

    Veja todas as ações do ministro:

    1. Determinou a ida do secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, a Mossoró, acompanhado de uma equipe de seis servidores, para a apuração presencial dos fatos e a tomada das ações cabíveis no âmbito administrativo;
    2. Acionou a Direção-Geral da Polícia Federal para abertura de investigações e o deslocamento de uma equipe de peritos ao local, com objetivo de apurar responsabilidades e de atuar na recaptura dos dois fugitivos, ação que já conta com o engajamento de mais de 100 agentes federais;
    3. Ordenou a mobilização das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que congregam as polícias federais e estaduais nas ações de repressão da criminalidade organizada, para colaborarem com os esforços de localização e prisão dos foragidos;
    4. Instruiu a Polícia Federal (PF) para que efetuasse o registro dos nomes dos fugitivos no Sistema de Difusão Laranja da Interpol, bem como a sua inclusão no Sistema de Proteção de Fronteiras, para que sejam procurados pela comunidade policial internacional;
    5. Mobilizou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para que realize o monitoramento das rodovias sob sua jurisdição e dê suporte à recaptura dos presos;
    6. Mandou que fosse realizada uma imediata e abrangente revisão de todos os equipamentos e protocolos de segurança nas cinco penitenciárias federais.

    *Com informações de Marcos Guedes