"É um retrocesso", diz Sarrubbo sobre relatório da PEC da Segurança

De saída do Ministério da Justiça, secretário criticou texto do relator Mendonça Filho, que afirma esperar diálogo com novo ministro

Helena Prestes, da CNN Brasil*, Brasília
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Em entrevista à CNN Brasil, nesta quarta-feira (14), o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, afirmou que o relatório proposto pelo relator da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) da Segurança Pública, deputado Mendonça Filho (União-PE), é um "retrocesso".

"O relatório, do deputado Mendonça Filho, na minha modesta visão, ele é um retrocesso em relação à lei do SUSP (Sistema Único de Segurança Pública), de 2018, porque prejudica a integração entre as forças", disse o secretário, que está de saída do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública).

O projeto, proposto pelo governo federal, foi enviado ao Congresso em 2025. Entretanto, a proposta foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara com ajustes que retiraram trechos, como o mencionado por Sarrubbo, que dariam competência à União para coordenar a segurança pública dos estados.

A expectativa era de que o projeto fosse votado em Plenário ainda em 2025, mas a análise foi adiada para este ano diante da necessidade de ampliar o diálogo sobre a proposta.

Após a nomeação do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, Mendonça Filho disse à CNN Brasil esperar que o ministro chegue ao cargo “com disposição ao diálogo” para avançar em políticas de enfrentamento à violência.

“Eu espero que o ministro Wellington chegue com disposição ao diálogo, de alguém que conhece a área, como ex-promotor público e procurador-geral de Justiça, para que a gente possa avançar numa política pública de combate à violência, que é o problema número um da população brasileira”, disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu diretamente que o novo ministro priorize duas matérias no Congresso: a PEC da Segurança e o PL (Projeto de Lei) Antifacção.

Ainda à CNN Brasil, Sarrubbo declarou que houve uma "confusão proposital" em torno do projeto. Segundo ele, a PEC "é muito clara" ao prever coordenar a integração do Sistema de Segurança e que, em nenhum momento, "o governo federal pretendeu comandar a política de segurança dos estados".

*Sob supervisão de Douglas Porto