Eleição vai definir um equilíbrio de poder nos tribunais, diz especialista
Cientista político e diretor da consultoria Eurasia no Brasil afirma que eleição será determinante para definir equilíbrio de poder nos tribunais nos próximos anos
O cientista político e diretor da consultoria Eurasia no Brasil, Silvio Cascione, afirmou, ao WW, que a politização do Judiciário brasileiro avançou de forma profunda e atingiu um ponto de "não retorno". Para o especialista, o cenário de disputas internas no STF (Supremo Tribunal Federal), com ministros fazendo acusações uns contra os outros, ilustra a gravidade da situação.
Segundo Cascione, a eleição será determinante para definir o equilíbrio de poder nos tribunais nos próximos anos. "A politização já foi muito longe e ela pode avançar ainda mais, porque o que a gente tem no Supremo e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também por extensão é uma luta política profunda", afirmou o especialista.
Ministros com foco em derrubar adversários
Cascione destacou que os ministros do STF parecem ter como grande objetivo diário derrubar seus adversários internos. Para ele, essa dinâmica, que já vinha deteriorando o Judiciário há muitos anos, deve se aprofundar ainda mais ao longo da campanha eleitoral.
"Para os lados que estão ali se digladiando, a eleição é determinante para decidir o equilíbrio de poder para os próximos anos", disse.
Divisão nos órgãos de Estado
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, apontou que o problema vai além da politização dos tribunais. Após anos de polarização intensa, diversos órgãos de Estado estariam hoje profundamente divididos e instrumentalizados.
Entre os exemplos citados estão a Polícia Federal, que ora produziria relatórios utilizados por uma ala do Supremo, ora por outra; a Receita Federal, acusada de sofrer pressões e de ter setores envolvidos em episódios polêmicos; e o Itamaraty.
Rittner também mencionou a AGU (Advocacia-Geral da União), descrita como um órgão técnico e de Estado que teria passado a adotar posturas de caráter político-eleitoral.
Para ele, o quadro geral reflete o impacto de anos de polarização calcificada sobre as instituições brasileiras: "O que a gente vê depois desses anos todos de polarização muito calcificada é a divisão dentro de órgãos de Estado".



