Em nova fase, CPMI do INSS deve mirar pedidos de nomes com “blindagem”

Presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que análise de requerimentos não será mais acordada por consenso

Mateus Salomão e Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
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O anúncio de que a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) analisará requerimentos ainda que sem consenso entre oposição e governo, ameaça colocar em pauta a convocação de nomes até então considerados “blindados”.

Na última reunião, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que a comissão entrou em uma nova fase e que passará a mirar o “núcleo político”. Novas deliberações de requerimentos devem ocorrer daqui a duas semanas.

“A partir da próxima reunião deliberativa, não haverá mais consenso para votações, todos irão a voto. Todo e qualquer requerimento essa presidência colocará em voto. E, assim, nós vamos dar sequência e deixar o povo brasileiro saber quem quer ou não trazer para cá as informações”, afirmou Viana na quinta-feira (13).

A CPMI do INSS acumula, até o momento, mais de 975 requerimentos não apreciados. Desse total, ao menos 26 já entraram na pauta das reuniões deliberativas realizadas pela comissão, mas não chegaram a ser apreciados.

Entre os requerimentos que estavam na pauta, mas não foram analisados, estão as quebras de sigilo do ex-ministro Carlos Lupi e a convocação do advogado Gilmar Stelo.

“Blindagem”

Na última segunda-feira (10), o relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), denunciou que ao menos quatro nomes estariam sendo supostamente “blindados”. Ele, entretanto, não indicou quem estaria protegendo a convocação.

O relator, na ocasião, citou nominalmente os seguintes nomes:

  • Gustavo Gaspar: acusado de ter concedido a operador financeiro de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tinha procuração com amplos poderes para atuar em nome de sua empresa. É também descrito como braço direito do senador Weverton Rocha (PDT-MA);
  • Paulo Boudens: acusado de ter recebido R$ 3 milhões de uma empresa do “Careca do INSS” entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024. É ex-chefe de gabinete do senador Davi Alcolumbre;
  • Danielle Miranda Fonteles: responsável pela Pepper Comunicação Interativa, empresa que atuou em campanhas eleitorais do PT (Partido dos Trabalhadores). Requerimentos citam que ela recebeu R$ 5 milhões em repasses do “Careca do INSS”
  • Roberta Luchsinger: a imprensa indicou que ela teria feito lobby junto ao “Careca do INSS” no Ministério da Saúde em 2024.

A CPMI do INSS investiga o esquema de descontos ilegais na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas revelado em abril após operação da PF (Polícia Federal) e CGU (Controladoria-Geral da União).

No total, as entidades teriam cobrado de aposentados e pensionistas um valor estimado de R$ 6,3 bilhões, entre os anos de 2019 e 2024.