Embaixador da Palestina diz à CNN que apoia Brasil em Conselho de Paz

Marwan Gebril, que representa a Autoridade Palestina no país, é favorável ao conselho de Trump, com ressalvas; Nesta segunda-feira (26), o presidente Lula conversou por telefone com presidente americano sobre o assunto

Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília
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O embaixador da Autoridade Palestina no Brasil, Marwan Jebril, disse à CNN Brasil que o governo palestino acolheu com satisfação a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para concluir sua iniciativa de paz e aplicar a Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), incluindo a criação do Conselho de Paz e de seus órgãos executivos.

“Também apoiamos a criação de um Comitê Palestino para gerir a Faixa de Gaza. Nossa prioridade é a paz, a estabilidade e a reconstrução”, afirmou Jebril.

Segundo o embaixador, a Autoridade Palestina mantém a posição quanto à necessidade da presença do governo palestino juntamente com a comissão tecnocrata, bem como quanto ao caráter provisório dessa comissão.

“Não à anexação de qualquer parte da Faixa de Gaza, nem à expulsão de seus habitantes”, completou.

A Comissão Tecnocrata Palestina não possui qualquer perfil político; é exclusivamente técnica, e sua missão é resolver, no terreno, os problemas da população e iniciar o plano de reconstrução.

“Agradecemos o papel de muitos países amigos, como o Egito, o Catar, a Jordânia e a Turquia. A urgência de avançar o mais rapidamente possível para a segunda fase do acordo.”

A segunda fase consiste na retirada total do exército israelense, na não anexação, na não expulsão da população palestina, no início da reconstrução e na permissão para a entrada de ajuda humanitária.

“O consenso internacional em torno da questão palestina deve ser mantido, e acreditamos que a Declaração de Nova York pode servir como base e referência política para uma solução”, pontuou Marwan Jebril.

O Conselho de Paz constitui uma iniciativa que tem origem no âmbito das Nações Unidas, estabelecida por meio de uma resolução do Conselho de Segurança.

“Nesse contexto, é motivo de particular satisfação destacar a participação de países que não apenas respeitam, mas também defendem ativamente o direito internacional e o multilateralismo. O Brasil, em especial, tem se destacado historicamente por seu firme compromisso com o Direito Internacional, com o multilateralismo e com a promoção de uma ordem internacional baseada em regras”, prosseguiu.

“O Conselho de Paz foi criado por meio de uma resolução do próprio Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que evidencia que se trata de uma iniciativa complementar e não substitutiva."

"Nesse sentido, a importância do Conselho de Segurança, enquanto órgão central do sistema das Nações Unidas responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais, não pode, em hipótese alguma, ser substituída. Ao contrário, esse tipo de iniciativa reforça o papel do Conselho de Segurança e a necessidade de fortalecer os mecanismos multilaterais de cooperação e diálogo no âmbito da ONU”, concluiu.

O Brasil foi convidado a compor o Conselho de Paz de Trump, mas até o momento não tomou qualquer decisão a respeito do tema. Na segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente americano.

A ligação durou em torno de 50 minutos e o Conselho de Paz foi abordado pelos líderes, mas o presidente brasileiro não decidiu se vai ou não aderir, mas fez duas sugestões ao presidente norte-americano.

Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Reiterou também a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas.