Embaixadora admite possível atraso com judicialização do acordo Mercosul-UE

Representante da União Europeia no Brasil afirma que análise do tratado pelo Congresso brasileiro pode incentivar avanço dos "procedimentos do lado europeu"

Emilly Behnke e Duda Cambraia, da CNN Brasil, Brasília
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A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, admitiu nesta quinta-feira (22) que a judicialização do acordo com o Mercosul pode atrasar a implementação do tratado. Ela avaliou, no entanto, que a análise no Congresso brasileiro pode incentivar o processo no "lado europeu".

Após reunião com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), a embaixadora elogiou a "ambição do lado brasileiro" de seguir com análise do tratado mesmo após a decisão dos parlamentares europeus sobre a judicialização.

“[Com] esse voto do Parlamento Europeu, o procedimento pode adiar. Não sabemos quanto tempo, mas o papel dos Parlamentos é chave. Em uma democracia, é chave. Com grande prazer, escutei hoje que o Parlamento brasileiro quer acelerar esse processo. Isso espero que vá incentivar os procedimentos do lado europeu também”, disse a embaixadora em entrevista.

Na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu decidiu levar o acordo de livre comércio à avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia.

"Como Europa, como a delegação da União Europeia, vamos continuar a preparar tudo para uma implementação o mais rápido possível e para que nossos povos sintam os benefícios desse acordo", afirmou a embaixadora.

Nelsinho Trad reforçou o compromisso de uma análise célere do tratado no Congresso acordado com a cúpula do Congresso. A tramitação no Congresso, de acordo com o senador, deve começar pela análise da representação brasileira no Parlamento do Mercosul.

"Eu conversei com os dois presidentes [da Câmara e do Senado]. O presidente Hugo [Motta] vai reunir os líderes no final desse mês, foi o que ele me disse, e vai tratar esse assunto com a maior celeridade possível. A mesma coisa o presidente Davi Alcolumbre", declarou Trad.

Mais cedo nesta quinta-feira, o senador também teve reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) sobre o tema. Após o encontro, Alckmin declarou que o governo seguirá com a análise do acordo e enviará o texto ao Legislativo. Ele também defendeu uma "vigência provisória" enquanto há a discussão na área judicial.

O tratado foi assinado no último sábado (17), em Assunção, no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações. O acordo ainda precisa passar por um processo de ratificação interna, pelos legislativos de ambos os blocos, para começar a valer.