Emenda sobre redução da maioridade gera embate no PT
Emenda do líder petista no Senado, Camilo Santana, para reduzir maioridade de 18 para 16 anos gerou desconfiança na própria bancada do PT
A apresentação de uma emenda pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana, propondo a redução da maioridade penal, provocou desconfiança entre integrantes da própria bancada petista. Parlamentares passaram a questionar se a iniciativa havia sido previamente autorizada por Lula antes de se tornar pública.
Houve uma conversa prévia de Camilo Santana com Lula antes de a proposta ser divulgada. No entanto, o questionamento ganhou força dentro da bancada após a apresentação formal da emenda, que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.
Segundo a âncora Tainá Falcão, a iniciativa de Camilo Santana é uma resposta à emenda apresentada anteriormente pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
"Foi um gesto considerado mais ajustado com a campanha do que com o governo e com o Planalto", afirmou Tainá durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (16).
A emenda de Marinho também prevê a redução para 16 anos, mas inclui ainda a possibilidade de responsabilizar adolescentes a partir de 14 anos em determinadas situações envolvendo crimes graves.
A proposta surpreendeu uma parcela da bancada do PT que vinha defendendo a aprovação da PEC da Segurança Pública sem qualquer alteração, justamente para evitar que o texto precisasse retornar à Câmara dos Deputados.
Nos bastidores, senadores petistas passaram a questionar se a emenda era de fato uma orientação do Planalto ou uma iniciativa da campanha para tentar neutralizar um eventual desgaste eleitoral provocado pela aposta da oposição. "Camilo é coordenador da campanha de Lula", lembrou Tainá.
Divisão interna no PT
A desconfiança tem raízes históricas: o PT sempre se posicionou contrariamente à redução da maioridade penal. Parte da bancada ainda se diz resistente à mudança e avalia que o debate deveria ocorrer em outro momento.
"Se assim for o desejo do Presidente da República e como ele mandou, em uma proposta separada [da PEC da Segurança Pública]. Ou seja, postergar esse debate, se for necessário e se eles conseguirem", pontuou Tainá.
Outro grupo, porém, considera que a pressão popular sobre o tema, amplamente explorado pelo campo adversário, tornou necessária a resposta de Camilo à oposição, sobretudo porque Flávio Bolsonaro assumiu o protagonismo do debate sobre segurança pública.
Estratégia para a semana seguinte
Nos bastidores, de acordo com a analista de política Isabel Mega, governistas passaram a articular uma nova estratégia.
"Eles falam em avançar com a PEC da Segurança Pública na semana que vem e falam em uma PEC paralela para trabalhar com a ideia da maioridade penal", revelou Mega.
Uma reunião entre os aliados estava prevista para esta sexta-feira, com o objetivo de afinar as estratégias. A ideia, portanto, seria não fazer nenhuma mudança na PEC da Segurança Pública para garantir que ela seja aprovada e promulgada, e não escapar desse debate.
A oposição, por sua vez, afirmou que o governo não teria votos suficientes para derrubar uma eventual emenda reapresentada por seus integrantes.
O clima tenso no Senado ficou ainda mais evidente após um desentendimento entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e Rogério Marinho, ocorrido quando Alcolumbre anunciou a retirada da PEC da Segurança Pública da pauta do plenário.
"É uma clara exemplificação de como a situação está conflagrada no Senado, porque houve uma antecipação do debate sobre a sucessão no Congresso Nacional", afirmou Tainá.

