Entenda a relação entre líder do governo e ex-sócio de Daniel Vorcaro
Âncora da CNN Tainá Falcão detalha relação entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio do Master, envolvendo crédito consignado na Bahia
A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da operação Compliance Zero, tendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) como um dos alvos. Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra o parlamentar, em uma investigação que apura suspeitas relacionadas a operações de crédito consignado e à relação entre Wagner e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A informação foi apurada pela âncora da CNN Tainá Falcão ao CNN Novo Dia.
A relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima
Segundo informações apuradas pela CNN, a amizade entre Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Lima — conhecido como Guga Lima na Bahia — se consolidou por volta de 2017 e 2018, quando passou a se transformar em negócios.
Na época, Wagner conduziu a privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que controlava uma rede de supermercados conhecida como "Cesta do Povo". Augusto Lima venceu a licitação e assumiu o negócio, que incluía o "Cartão Cesta" — posteriormente transformado em "CredCesta" —, uma operação de crédito consignado que se tornaria a base dos negócios de Lima e o braço do consignado do Master.
Posteriormente, Augusto Lima tornou-se sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal investiga justamente essa cadeia de relações: a ligação de Augusto Lima com Jaques Wagner e com Rui Costa, então governador da Bahia.
Rui Costa, segundo as informações disponíveis, não foi alvo desta fase da operação, mas aparece recorrentemente nas suspeitas levantadas pelos investigadores.
Nora de Wagner também é investigada
Além das suspeitas relacionadas ao crédito consignado, um segundo ponto chama atenção nas investigações. A nora de Jaques Wagner, identificada como Bonnie Bonilha, teria recebido entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões do Master entre 2021 e 2025, por serviços relacionados à prospecção de operações de crédito consignado.
A Polícia Federal também esteve na residência do enteado de Wagner, secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, em Salvador. O motivo pelo qual esse valor teria sido destinado à empresa de Bonilha ainda não está esclarecido.
Em fevereiro deste ano, Wagner concedeu entrevista à CNN e reconheceu conhecer Augusto Lima, mas descartou qualquer negociação irregular relacionada à privatização da Ebal ou ao mercado de crédito consignado.
O senador também negou suspeitas de que teria levado Augusto Lima para conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mais recentemente, após uma reportagem da revista Veja detalhar sua relação com o Banco Master, em vídeo divulgado nas redes sociais, Wagner foi à tribuna do Senado Federal para se defender.
A estratégia do PT diante das investigações
No âmbito político, a cúpula do PT já vinha antecipando a possibilidade de que as investigações sobre o Master atingissem integrantes do partido na Bahia. De acordo com informações de bastidor da CNN, a orientação do partido é a de "isolar no CPF" cada investigado — ou seja, não mobilizar lideranças como o presidente Lula para defender publicamente os alvos das investigações.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, em conversa reservada com a CNN cerca de 15 dias antes da operação, sinalizou essa linha de atuação como estratégia de comunicação para conter a crise.
Ao todo, 18 mandados foram cumpridos nesta fase da operação, em endereços no Distrito Federal, na Bahia e em São Paulo. Vale destacar que Augusto Lima já havia sido preso na primeira fase da operação Compliance Zero.
À CNN, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que nunca atuou em favor do Banco Master e que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.
Leia a nota completa abaixo:
"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá".





