Flávio diz que Moraes tem "gabinete da perseguição" e cobra impeachment
Ao lado de Sérgio Moro, senador acusa ministro de usar o inquérito das Fake News para perseguir adversários políticos

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, neste sábado (5), que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), conduz o seu gabinete na forma de um "gabinete da perseguição". O candidato do PL disse ainda que "já passou da hora" do Senado Federal pautar o impeachment do magistrado.
A declaração de Flávio ocorre na esteira da crise que atingiu o STF nesta semana. Na última terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo sobre a ação que apura trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Moraes. Na noite da quinta-feira (3), Moraes utilizou o inquérito das Fake News para acusar o colega de Corte de cometer crimes na condução de ações no tribunal.
Flávio deu a declaração a jornalistas após visitar Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em Ponta Grossa, no interior do Paraná.
Martins foi condenado a 21 anos de prisão pela sua participação na trama golpista, processo relatado por Alexandre de Moraes na Suprema Corte. Segundo a condenação, o ex-assessor teria participado de reuniões de articulação e auxiliado na elaboração da chamada "minuta do golpe", documento que instauraria medidas excepcionais para mantê-lo no poder.
O filho primogênito de Jair Bolsonaro, estabeleceu uma relação entre o caso de Martins e a atual crise entre os magistrados. Segundo o candidato, o ministro teria usado do inquérito das Fake News para "perseguir adversários políticos e agora o mesmo modus operandi que ele atuou com várias pessoas da direita, ele faz com o ministro André Mendonça".
"Ele escolhe seus alvos pré-determinados e depois tenta construir uma narrativa para condenar a pessoa que ele já está na mente que ele quer condenar essa pessoa", concluiu.
A CNN Brasil entrou em contato com o ministro Alexandre de Moraes e aguarda retorno. O espaço segue aberto caso o ministro queira comentar as declarações.
Flávio cumpre agenda ao lado de Sergio Moro
O senador e candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) acompanhou Flávio após a visita à Filipe Martins. Moro, que foi ministro da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, deixou a pasta acusando o ex-presidente de interferir na PF (Polícia Federal).
Quando Bolsonaro disse que o ministro da Justiça “tinha a obrigação de defender o presidente”, Moro rebateu a afirmação dizendo que "não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do Presidente". A referência era ao suposto caso de "rachadinhas" no gabinete de Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.
Agora correligionários, Flávio minimizou as declarações de Sergio Moro à época, dizendo que "nada melhor que o tempo para mostrar quem é inocente e quem não é".
"Sérgio Moro tem a convicção de que não fiz nada de errado", completou.
*Sob supervisão de Renata Souza


