Governadores querem que facções sejam consideradas terroristas, diz Zema
Líder do Executivo mineiro declarou que apoia relatório do deputado Guilherme Derrite para o Marco da Segurança, mas citou que deseja ações mais robustas
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse, em entrevista ao CNN 360º, nesta quarta-feira (12), que os governadores de oposição querem que as facções criminosas sejam consideradas terroristas.
"Nós, governadores, damos total apoio a proposta do deputado [Guilherme] Derrite, mas nós queremos ações muito mais robustas, muito mais fortes. Dentre elas, que essas organizações criminosas sejam consideradas grupos terroristas, porque são", disse Zema após reunião dos governadores com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em Brasília.
Zema falava sobre o texto do Marco Legal da Segurança Pública contra o Crime Organizado, relatado pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP). O parlamentar desistiu de equiparar o crime organizado ao terrorismo.
A mudança ocorre após críticas do governo Lula, da PF (Polícia Federal) e de integrantes do Ministério Público. A proposta inicial do relator previa alterar a Lei de Combate ao Terrorismo, o que, segundo a PF, criaria problemas e limitações à atuação da corporação.
Para o Executivo, classificar as organizações criminosas como terroristas é uma ameaça à soberania nacional. De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, a questão dá brechas que poderiam justificar a intervenção de potências estrangeiras sob o pretexto de combater o crime organizado.
Zema já considera uma ameaça à soberania "quem controla território no Brasil, que não deixa o serviço público funcionar, quem tem tribunal do crime, quem cobra mais por energia, por internet, por água e vários outros serviços, porque controla essas áreas e merece, na minha opinião, uma resposta o mais forte possível por parte do Estado".
Votação do Marco da Segurança
O Marco Legal da Segurança Pública contra o Crime Organizado estava na pauta do plenário da Câmara dos Deputados de terça-feira (11). No entanto, sem consenso, a votação foi adiada e estava prevista para essa quarta-feira.
Em almoço com governadores de oposição, Derrite declarou que o governo usou uma “narrativa falsa” sobre o papel da PF no relatório e não cravou que o texto seria analisado ainda hoje.
“Usaram uma narrativa falsa em cima do meu texto. Como o texto deles favorecia os criminosos e o meu está endurecendo, eles foram com uma narrativa falsa”, afirmou o relator em entrevista coletiva.
Zema expôs que "há clima" para o projeto ser votado ainda nesta quarta e ponderou que a decisão é do presidente da Casa.
"O Hugo Motta ficou de avaliar. Nós deixamos claro que o projeto é muito importante para o Brasil, mas precisamos de mais", disse o governador.


