Governistas não detectaram ações discretas e sem vazamentos contra Messias
Analista Pedro Venceslau aponta, no CNN Prime Time, caos na articulação política e diz que governistas ficaram "absolutamente no escuro" sobre movimentação contrária à indicação
O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (29), em uma derrota que expôs graves falhas na articulação política do governo. Segundo o analista Pedro Venceslau, no CNN Prime Time, os governistas não detectaram ações contra Messias antes do resultado.
O analista apontou o que chamou de "caos completo na articulação política". Segundo ele, as lideranças do governo no Congresso Nacional não perceberam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estava se movimentando contra a indicação ou, ao menos, deixando que a oposição o fizesse.
Pedro Venceslau destacou ainda que Alcolumbre havia se recusado a receber o líder do governo no Senado, Jaques Wagner — um sinal claro de que havia algo muito errado. "Se o líder do governo não dialoga com o presidente do Senado, tem alguma coisa muito errada acontecendo aí", afirmou o analista.
Outro sinal ignorado foi a recusa de Alcolumbre em receber o próprio Jorge Messias, tanto antes quanto após a sabatina. Venceslau lembrou que todos os outros indicados anteriormente foram da sabatina diretamente à presidência do Senado, o que demonstra respeito à prerrogativa institucional do presidente da República de indicar nomes para o STF. A ausência desse gesto, segundo o analista, já indicava que a situação era crítica.
A votação apertadíssima na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) já deveria ter servido de alerta. O placar na comissão se igualou apenas ao de Gilmar Mendes, em 2002, quando ele foi indicado por Fernando Henrique Cardoso e obteve 16 votos a favor e 6 contra. O governo, no entanto, havia errado na expectativa do placar, e ainda assim não percebeu os sinais de que algo estava muito errado.
Movimentação discreta e sem vazamento
De acordo com apuração do jornalista Daniel Rittner citada por Pedro Venceslau, Alcolumbre teria se movimentado apenas nos momentos finais do dia anterior à votação. O analista descreveu um acordo de última hora com a oposição, no qual Alcolumbre teria prometido entregar os votos necessários para sacramentar a derrota do governo. "Tudo aconteceu de forma muito discreta, sem vazamento, provavelmente por WhatsApp, porque qualquer encontro presencial pode gerar um flagrante que pode vazar para a imprensa", explicou Venceslau.
O resultado revelou que o governo havia sido induzido ao erro por informações de que tinha força suficiente no Senado para aprovar mais um aliado de estrita confiança. Venceslau lembrou que, no ano anterior, o Senado já havia sinalizado que desejava indicar um nome da própria casa. Ainda assim, após a aprovação de Cristiano Zanin e de Flávio Dino — este último descrito como um gesto de boa vontade do Senado —, o governo optou por insistir em sua estratégia. "O recado ano passado foi dado e ignorado", disse o analista, ressaltando que o otimismo governista "parecia um pouco exagerado".

