Governo deve olhar pesquisa e fazer avaliação, diz Haddad à CNN
Em entrevista à CNN, o ex-ministro da Fazenda comentou os resultados da pesquisa que mostram Flávio Bolsonaro à frente de Lula e falou sobre paradoxos na percepção econômica
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP) afirmou durante entrevista à CNN que "o papel do governo é olhar com seriedade para a pesquisa e fazer avaliação". O comentário foi feito ao ser questionado sobre dados recentes da pesquisa Genial Quest, que apontam Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto, ainda que empatados na margem de erro.
Haddad destacou um aparente paradoxo entre os indicadores econômicos positivos e a percepção da população. "De outro lado, o que nós temos hoje? A inflação em quatro anos vai ser a menor da história. Da história. O desemprego é o menor da série histórica", afirmou, acrescentando que diversos setores econômicos estão batendo recordes de vendas.
Entre os exemplos citados por Haddad estão o programa Minha Casa Minha Vida, que segundo ele "vai fechar o ano com a contratação de 3 milhões de unidades habitacionais", sendo "o maior Minha Casa Minha Vida da história do Brasil". Ele também mencionou que a distribuição de renda atual é "a melhor da história".
Percepção da população
O ex-ministro apontou uma necessidade de entender melhor o que está causando incômodo na população. "Tem havido uma discrepância, que precisa ser mais bem analisada, entre a realidade concreta do indivíduo e a percepção dele do que está acontecendo no país", observou.
Segundo Haddad, na mesma pesquisa citada, quando se pergunta se a pessoa acha que sua vida vai melhorar economicamente, "praticamente a metade diz que vai melhorar". Para ele, esse dado sugere que as perguntas feitas nas pesquisas podem não indicar exatamente o que o governo precisa entender para resolver questões específicas.
Entre as possíveis causas para essa percepção negativa da economia, Haddad citou hipóteses como o impacto das apostas no orçamento familiar e a taxa de juros que, segundo ele, "começou a cair, mas ainda lentamente". Apesar dessas questões, ele afirmou: "Do ponto de vista macroeconômico, o Brasil está numa condição de um ciclo de desenvolvimento sustentável. Eu não tenho a menor dúvida disso".
Durante a entrevista, Haddad também mencionou que o governo apresentaria nesta quarta-feira (15) a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o ano seguinte, "seguindo o script, seguindo o roteiro que foi definido lá na vitória do presidente Lula, sempre com mais consistência nas contas, com mais programas sociais".


