Governo vê protagonismo de Derrite com aceno a Tarcísio
Analista Isabel Mega, no Live CNN, traz informações sobre o cenário que resultou em alterações no texto do Marco Legal do Crime Organizado pelo seu relator, Guilherme Derrite
O relator do Marco Legal do Crime Organizado, Guilherme Derrite, que deputado federal, recuou de trechos polêmicos do substitutivo ao PL Antifacção após forte reação da base governista no Congresso Nacional. A mudança ocorreu principalmente após um almoço com representantes do Ministério da Justiça, onde foram discutidos pontos considerados inconstitucionais no texto. Informações são de Isabel Mega no Live CNN.
"Eram inconstitucionais. Não teria como fazer uma mudança daquela forma, ferindo a autonomia da Polícia Federal, por meio de um projeto de lei", explica a analista de Política da CNN.
A escolha de Derrite como relator gerou desconforto entre parlamentares desde a última sexta-feira, com a base aliada manifestando irritação com a decisão. O próprio deputado afirmou que não houve diálogo direto com representantes do governo sobre o conteúdo do projeto, tendo conversado apenas com o diretor da Polícia Federal.
Tensão política
Articuladores do governo interpretaram a escolha do relator como um possível aceno político a Tarcísio de Freitas. Derrite, que é secretário de Segurança Pública em São Paulo, representa uma conexão direta com a gestão paulista, gerando especulações sobre possíveis movimentações no cenário político. De acordo com Mega, não houve contato do governo federal com o deputado: "Não tem diálogo, é Hugo Motta que está nesta função, de mediar".
A justificativa da Câmara para as alterações no projeto baseou-se na prerrogativa do Parlamento de modificar textos conforme seu entendimento. No entanto, os pontos mais criticados, especialmente aqueles relacionados à Polícia Federal, foram completamente removidos por serem considerados tecnicamente inviáveis e inconstitucionais.
O episódio também gerou comparações com tentativas anteriores de mudanças legislativas. Parlamentares, como Lindbergh, chegaram a classificar o projeto como uma "nova PEC da blindagem", sugerindo que seria uma tentativa de proteção a determinados grupos políticos, o que causou ainda mais tensão entre os deputados.


