“Há demanda pela terceira via, problema está na oferta”, avalia cientista político

À CNN, Carlos Pereira vê falta de coordenação entre postulantes ao Planalto, mas não descarta chances de alguém desbancar Lula ou Bolsonaro

Felipe Romeroda CNN

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O cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Pereira, afirma que ainda há espaço para a “terceira via” disputar ativamente as eleições presidenciais de 2022. “O espaço é definido pela demanda, hoje as pesquisas mostram que pelo menos 1/3 dos eleitores não querem nem Bolsonaro nem Lula”,  explica.

Para ele, “há uma ambição natural de vários candidatos da terceira via tentando se cacifar para ver qual deles será o representante que vai tentar atender essa demanda”.

Essa ambição aliada a uma descoordenação entre pré-candidatos tem atrapalhado o crescimento dessa alternativa: “vejo de forma positiva essa movimentação da semana passada, com os candidatos percebendo a necessidade de procurar algum tipo de unidade frente a duas candidaturas consolidadas”, avalia, em referência aos movimentos mais recentes do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) e dos tucanos Eduardo Leite e João Doria.

“Temos que observar como essa unidade vai se desenrolar nos próximos meses, mas acredito que esses candidatos da terceira via tendem a se afunilar com a campanha e esse eleitor ‘nem Bolsonaro nem Lula’ deve votar estratégico já no primeiro turno”, avalia o cientista político, citando que de forma geral o voto por estratégia tende a ser dado no segundo turno enquanto no primeiro o eleitor tenda a votar por ideologia.

“É uma possibilidade que esses eleitores ‘nem Lula nem Bolsonaro’, caso não percebam um nome forte da terceira via, tendam a acomodar sua preferência em um desses dois polos”, alerta.

Pereira destaca que hoje o voto segue muito mais uma questão “afetiva” do que ideológica. “A opinião sobre programas de transferência de renda, por exemplo, tende a mudar se o atual presidente é beneficiado politicamente por elas”, explica.

Comentando as recentes mudanças de partido, que aumentaram a base política de Bolsonaro no Congresso, o cientista político vê com cautela a influência sobre o pleito: “normalmente o presidente não tem benefícios desse movimento, o presidente impacta na manutenção e reeleição de parlamentares e não o contrário.”

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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