Homenagem a Lula pode ser vista como comício de campanha, diz especialista

Em entrevista ao CNN Novo Dia, Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral, afirma que partes do desfile da Acadêmicos de Niterói podem ser consideradas propaganda eleitoral

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, pode ter extrapolado os limites do que é permitido pela Justiça Eleitoral. Esta é a avaliação do especialista em Direito Eleitoral, Alberto Rollo, em entrevista ao CNN Novo Dia.

Segundo Rollo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi acionado antes mesmo do desfile acontecer, mas optou por aguardar a apresentação para evitar censura prévia.

"As notícias são que houve 10 ações, algumas no TSE, no Tribunal de Contas e na própria Justiça Federal, tentando barrar o desfile. E uma das respostas que o TSE deu foi: vamos aguardar o desfile acontecer, para que não haja censura prévia", explicou o especialista.

Acrescentando: "'Depois que acontecer o desfile, a gente examina à luz da lei para saber se houve exageros ou não', e eu assisti esse desfile e entendi que houve alguns exageros"

O advogado destacou que o refrão repetido durante o desfile, "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula", pode ser considerado propaganda eleitoral antecipada. "Aquele é o refrão das campanhas eleitorais do Lula, e aquilo foi repetido muitas vezes. Então, me pareceu, fica parecendo um verdadeiro comício de campanha", afirmou Rollo.

Referências ao presente e futuro

Outro ponto criticado pelo especialista foi que, embora o enredo fosse uma homenagem ao passado de Lula, o desfile trouxe referências ao presente e ao futuro.

"O enredo era a homenagem ao Lula, a homenagem ao passado, o que ele fez, o que ele foi, como ele foi construído. Então, falando do passado, e eu vi ontem referências ao presente, e, por exemplo, quando fala de escala 6/1, é uma clara referência ao futuro", observou: "É uma coisa que também li no noticiário como uma bandeira de campanha do presidente Lula".

"Vinculação do jingle de campanha para ser usado no futuro e vinculação às bandeiras de campanha, acho que isso são dois pontos graves", apontou Rollo.

Rollo também mencionou que viu elementos que poderiam ser interpretados como críticas políticas, como a figura de um palhaço Bozo usando faixa presidencial e aparecendo atrás de grades. "Isso é uma crítica, uma crítica bem forte, sim. Mas precisa saber quem é que veste a carapuça, né? O Bozo é o Bozo, é um personagem", ponderou o especialista.

Outro lado

Em nota, o Partido dos Trabalhadores afirma que o samba-enredo apresentado é "manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural" garantida pela Constituição.

"A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula", afirmam.

Ainda segundo o partido, não houve pedido de voto durante o desfile, o que afasta a possibilidade de acusação por propaganda eleitoral antecipada e a discussão sobre inelegibilidade de Lula.

"O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha", argumenta a legenda.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.