Impeachment de Moraes é manifesto político do governo contra o STF

Na visão dos analistas de política da CNN Caio Junqueira e Leandro Resende, Planalto quer que STF também seja alvo de escrutínio público

O ministro do STF Alexandre de Moraes
O ministro do STF Alexandre de Moraes Foto: Rosinei Coutinho - 18.fev.2020/SCO/STF

Da CNN

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O pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, encaminhado pelo planalto na noite desta sexta-feira (20), mostra que o Planalto vê o STF como mais um “ator político” no cenário brasileiro, segundo os comentaristas da CNN Caio Junqueira e Leandro Resende.

Segundo Junqueira, o texto é um manifesto político do governo. Bolsonaro acredita que o Judiciário precisa ser submetido ao mesmo escrutínio público do recebido pelo Legislativo e o Executivo. Na ação contra Moraes, ele afirma que o próprio presidente aguenta ações semelhantes.

No pedido de  impeachment encaminhado na noite desta sexta, Bolsonaro afirma que “não se pode tolerar medidas e decisões excepcionais de um ministro do Supremo Tribunal Federal que, a pretexto de proteger o direito, vem ruindo com os pilares do Estado Democrático de Direito”.

Momentos depois da ação ser entregue, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que não “antevê fundamentos para impeachment de ministro do Supremo”.

Segundo Resende, foi outro o desdobramento mais forte do Senado contra o pedido de impeachment de Moraes: o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP) teria já avisado que não pretende pautar a indicação de André Mendonça para o Supremo na próxima semana. 

O comentarista da CNN ainda ressaltou que os tradicionais “bombeiros” do Planalto terão que trabalhar muito para contornar a crise institucional. Em nota, o STF afirmou que “o Estado Democrático de Direito não tolera acusações a magistrado por decisões”.

Publicado por Evandro Furoni

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