‘Imunidade de rebanho é impossível de se atingir’, diz Luana Araújo à CPI

Em depoimento, infectologista já afirmou que falar em tratamento precoce para a Covid-19 é 'discussão delirante'

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo

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A médica infectologista Luana Araújo, anunciada em maio para o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, mas cuja nomeação foi cancelada dez dias depois, afirmou nesta quarta-feira (2) à CPI da Pandemia que a chamada “imunidade de rebanho” não é uma estratégia inteligente e é “impossível de se atingir”. 

“É muito esperado que vírus com base em material genético de RNA sofra mutações ao longo do tempo. Existem algumas poucas mutações que mudam o grau de transmissibilidade do vírus ou possibilidade de ser uma infecção mais grave. Então, a possibilidade de uma imunidade de rebanho no Sars-Cov é impossível de ser atingida”, disse Luana. 

Segundo a infectologista, a imunidade só será atingida por meio da vacinação das pessoas. “Conseguimos fazer isso com a vacinação por que conseguimos uma reposta mais sólida e com um perídio de tempo mais curto. A gente atinge imunidade com vacinação sem sofrimento. Não posso imputar sofrimento e morte a uma população. Para mim, é muito estranho que a gente discuta esse tipo de coisa. Não tem lógica”, afirmou. 

Para Luana, a coordenação entre as esferas do governo é fundamental para o combate ao vírus. “A coordenação entre esferas de governo é absolutamente fundamental. Porque é preciso que haja uma mensagem único para que lidemos com um inimigo único e complexo. É uma estratégia quase militar. Você tem um inimigo importante e você começa a dispensar seus soldados? Dito isso, o SUS é um sistema tripartite. Todas nossas decisões devem ser compactuadas em todas as esferas de governo. E isso faltou. Acredito que foi por isso que o ministro Queiroga tentou criar essa secretaria.” 

Ainda durante os questionamentos do senador Humberto Costa (PT-PE), a infectologista avaliou a confirmação da Copa América no Brasil – confirmada nesta terça-feira (1º) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo ela, os protocolos adotados podem “amenizar riscos, mas não os anulam.” “Honestamente, não esse o momento oportuno para esse tipo de evento. É possivel até usar protocolos que amenizem as circustâncias, mas é um risco desnecessário nesse momento”, avaliou. 

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