Itamaraty tenta reposicionar imagem e inaugurar nova fase de Ernesto Araújo

Primeira demonstração de que o ministro ‘entrou em uma nova fase’ será nesta terça-feira (2), em encontro com profissionais de imprensa

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Foto: Luis Echeverria/Reuters (19.fev.2020)

Basília Rodriguesda CNN

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Em uma mudança de postura à frente do Itamaraty, o ministro Ernesto Araújo, que comanda a pasta desde o início do governo Jair Bolsonaro, decidiu retomar o contato com a imprensa e fazer encontros regulares com jornalistas, em Brasília, como uma espécie de prestação de contas e também um reposicionamento de imagem do ministro, que acumula críticas à política externa brasileira, principalmente após a derrota de Donald Trump e a eleição do democrata Joe Biden, nos Estados Unidos.

A primeira demonstração de que Ernesto quer mostrar que entrou em uma nova fase será nesta terça-feira (2), com encontro marcado para as 10h, porém restrito a 25 profissionais da imprensa que deverão se cadastrar para participar. Houve preocupação com o local onde será realizada a entrevista quanto ao distanciamento entre as pessoas e o uso de máscaras. Buscou-se um espaço maior e mais ventilado.

O ministro, de acordo com a pasta, fará uma fala de abertura sobre a relação do Brasil com outros países, como Estados Unidos e União Europeia, e depois em gesto raro ficará aberto a perguntas. Atualmente o Itamaraty tem sido demandado, principalmente, sobre a possível compra de um spray israelense que combateria o novo coronavírus e também os impactos para o Brasil da relação com Biden.

De acordo com auxiliares de Araújo ouvidos pela CNN, ele está disposto a tornar a atitude um hábito, com o objetivo claro de dar a narrativa do Itamaraty sobre a política externa brasileira, o que tentou-se fazer no início do governo, em 2019, mas depois ficou para trás.

A sala de briefings, como são chamadas as conversas da pasta com a imprensa, deixou de ser usada pelo ministro. A avaliação interna é de que a falta de abertura com a imprensa facilitou a circulação de interpretações equivocadas sobre o Itamaraty. Mais do que isso: acabou dando voz a diplomatas e ex-diplomatas não alinhados com Bolsonaro. 

Um interlocutor de Araújo afirmou que, com isso, o ministro pretende dar novo fôlego a sua gestão, afastando a possibilidade de uma troca ministerial, ainda que existam apelos de aliados de Bolsonaro para mudança no Itamaraty.

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