Jaques admite dois encontros com Vorcaro, mas nega ter recebido dinheiro

Líder do governo no Senado falou que relação com dono de Master "é praticamente zero"

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) rebateu nesta quinta-feira (18) as acusações de atividades ilegais relacionadas ao Banco Master. O líder do governo no Senado negou o recebimento de qualquer vantagem financeira em seu mandato: "Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master".

O parlamentar ainda tentou justificar os cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) encontrados em endereços ligados a ele: "De 2019 para cá, recebi de diárias aproximadamente 79 mil dólares. E outras vezes que fui viajar, eu comprei, via Banco do Brasil, onde tenho conta, dólares ou euros, para fazer a viagem. Não tenho nenhuma coisa para esconder nesse dinheiro".

"Estava guardado no cofre porque eu nem sempre levo dinheiro, às vezes gasto com cartão, então o dinheiro está lá. Os envelopes que estavam no caso de Brasília, estavam com timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólares. No ponto de vista do dinheiro, estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master, nem do Augusto Lima", declarou em entrevista à Band News.

Jaques, que foi alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero nesta quinta (18), amenizou o nível de relação com os envolvidos no caso Master. De acordo com o senador, a relação com Daniel Vorcaro "é praticamente zero".

"Minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero. Tive com ele duas vezes, uma vez quando entrou de sócio do Augusto Lima para comprar o CredCesta. Outra vez, quando o Augusto Lima pediu uma indicação na área jurídica, eu disse que não tinha pessoa melhor como o ministro Lewandowski", disse.

O senador ainda se colocou à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos sobre os pontos apontados na investigação: "Não sou réu, não sou culpado, não sou nada".

À CNN, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que nunca atuou em favor do Banco Master e que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.

Leia a nota completa abaixo:

"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá".

9ª fase da Operação da Compliance Zero

A Polícia Federal apreendeu dólares e euros em espécie em endereços ligados ao senador Jaques Wagner, em Brasília e na Bahia, nesta quinta.

Parte do montante foi encontrado em um quarto de um hotel da capital federal, onde o petista costuma se hospedar quando está na cidade. A Polícia Federal pretende questionar o senador sobre a origem do dinheiro.

Além do quarto do hotel em Brasília, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em um apartamento do senador em Salvador. A investigação aponta que a família do parlamentar teria recebido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, um apartamento avaliado em mais de R$2,4 milhões.

Nessa nova fase, é apontado que o Jaques teria contato direto com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Augusto teria ofertado benefícios, como viagens de avião, ingressos para shows e o apartamento, em troca de favorecimentos no Senado, como a aprovação de projetos que favorecessem o Master.