Kassab à CNN: Não colocaremos cargos como premissa de relação com o governo

Em entrevista à CNN Brasil, presidente do PSD citou questões econômicas e a reforma no Judiciário como pontos prioritários para fazer com que o partido tenha maior ou menor aproximação com o governo

Leticia Moreira, colaboração para a CNN Brasil, Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou à CNN Brasil nesta terça-feira (3) que o partido não vai colocar cargos como premissa de relação com o próximo governo do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Não vamos pautar a nossa conversa com o governo — ainda não conversei com o presidente Lula —, em nenhum momento vamos colocar como premissa da nossa relação cargos", disse à CNN.

De acordo com ele, temas como economia e a reforma do Judiciário serão os responsáveis por definir a proximidade que a legenda vai ter do novo governo Lula.

"O que nós vamos colocar é a questão econômica, os nomes que ele vai apresentar, os seus compromissos, a reforma eleitoral, parte da reforma do Judiciário, notadamente no que diz respeito à idade mínima, quarentenas, essas são as questões prioritárias para que a gente tenha maior ou menor proximidade ao governo", prosseguiu.

O PSD ocupa atualmente três ministérios e, segundo apuração da CNN, deseja manter pelo menos dois deles: o de Minas e Energia e o da Agricultura. O Ministério da Pesca, por sua vez, estaria disponível para negociação, já que a legenda almeja uma pasta de maior relevância.

Alexandre Silveira, titular de Minas e Energia, é apontado como bem avaliado por Lula, sobretudo por sua atuação em Minas Gerais, estado considerado determinante para a vitória eleitoral. Além disso, o nome do deputado Antônio Brito (PSD-BA), surge como cotado para ocupar o terceiro ministério da cota do partido.

Kassab também reforçou a posição do PSD na defesa de quarentena para advogar e a existência de mandato para ministros da Suprema Corte.

"Reforma do Judiciário é algo que tem que ser muito debatido. Porém, os primeiros passos não precisamos debater muito, vamos aprovar agora idade mínima, tempo de mandato, quarentena para advogar, dar pareceres e disputar eleições. Essa é a posição do PSD", acrescentou Kassab

A reforma no Judiciário ganhou força no cenário político brasileiro nos últimos meses, especialmente após a crise que atingiu o STF (Supremo Tribunal Federal). O tema também pautou as eleições e foi defendido tanto pelo presidente Lula quanto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à Presidência.

Como mostrou a CNN, o petista pretende tratar com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) uma proposta unificada de reforma do Poder Judiciário.

A ideia é apresentar uma iniciativa ao Congresso Nacional no próximo ano, com o respaldo do STF e do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O governo federal avalia alterações tanto nas indicações de magistrados como nas competências das Cortes Superiores.