Líderes do Centrão negam embarcar em sugestão do PL por escala 4x3

Partidos de centro consideram iniciativa da oposição uma "irresponsabilidade" e uma tentativa de constranger governo

Luciana Amaral, da CNN Brasil, Brasília
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Integrantes de partidos do Centrão enxergam como "irresponsabilidade" a sugestão do PL (Partido Liberal) a favor de uma escala trabalhista 4x3, em vez de 5x2, como é o consenso e a tendência a ser aprovada no plenário da Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (27).

Segundo lideranças dos partidos de centro na Casa – que, na prática, conseguem decidir para onde vai o pêndulo de votações importantes –, o bloco não embarcará na iniciativa da oposição.

Para governistas e membros do Centrão, a proposta do PL serve como uma tentativa de constranger o governo ao propor uma escala mais favorável aos trabalhadores, embora não siga o acordado com as demais siglas, inclusive com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que apresentará uma sugestão de mudança no plenário para a implementação da escala 4x3 – portanto quatro dias trabalhados para três de descanso.

Uma das propostas que deram origem ao atual texto em discussão, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), propunha a escala 4x3. No entanto, ela própria criticou a iniciativa do PL, por enxergá-la como uma forma de atrasar a votação da matéria e apoia a escala 5x2 – cinco dias trabalhados para dois de folga – como um avanço possível.

Antes de passar a defender a escala 4x3, parlamentares do PL pediam um período de transição maior à implementação das mudanças e parte defendia, inclusive, a manutenção da escala 6x1, com outras possibilidades de negociações. Por exemplo, o pagamento por hora trabalhada.

Por isso, a estratégia de defender a escala 4x3 passou a ser vista tanto por governistas quanto por integrantes do Centrão como uma maneira de o PL responder à pressão eleitoral sofrida pela direita diante da matéria, que se tornou uma das principais bandeiras do Planalto para o pleito de outubro.

O PL utilizou estratégia parecida quando houve a votação da isenção parcial do Imposto de Renda encampada pelo governo no Congresso. O Planalto articulou a isenção do imposto para quem recebia até R$ 5 mil por mês, mas o PL apresentou emenda para aumentar o valor desse limite para até R$ 10 mil mensais. A sugestão de ampliar a isenção foi rejeitada pela maioria.