Lula cita apoio do PL ao fim da 6x1 e avalia como avanço da direita

Primeiro turno da votação da proposta está previsto para esta quarta (14); Flávio Bolsonaro sinalizou apoio à proposta, mas fez ressalvas

Lucas Massei e Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta terça-feira (13), sobre o posicionamento do PL (Partido Liberal) em relação à votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6x1.

Segundo apuração da CNN Brasil, senadores do PL avaliam que a PEC possui apoio suficiente para ser aprovada na Casa Alta e defendem que o partido libere a bancada na votação, o que evitaria constrangimentos com algumas bases eleitorais. A sigla ainda deve emitir um parecer sobre o tema nesta tarde.

O senador e concorrente do petista ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou na manhã desta terça que votará a favor do texto "de acordo com a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro", mas destacou discordâncias com o projeto e afirmou que "quem vai pagar essa conta vai ser o governo".

Com essas movimentações, Lula citou o possível posicionamento favorável do PL à aprovação da PEC decorrente das manifestações realizadas em defesa do fim da escala 6x1, principalmente no período eleitoral.

"Me parece que, depois da pressão da sociedade, me parece que, depois de todas as manifestações da rua desse Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6x1", disse Lula.

O presidente também rebateu alegações de que o projeto seria ruim para o país, ao afirmar que, se tais tipos de atitudes fizessem a "direita avançar", ele continuaria fazendo.

"Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso", finalizou.

Votação no Senado

O presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) pautou para esta quarta-feira (14) a votação do primeiro turno da PEC do fim da Escala 6x1 no plenário da Casa. No entanto, membros do governo buscam assinaturas para que os dois turnos da votação aconteçam no mesmo dia, o que permitiria a promulgação do texto.

Para a aprovação total de uma PEC no Senado Federal, são necessários dois turnos de votação, com 49 votos favoráveis em cada um deles. Além disso, o regimento da Casa prevê três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno.

Se esse intervalo for respeitado integralmente, a votação final pode acabar ficando para depois do segundo turno das eleições.

As discussões sobre a proposta já foram iniciadas na semana passada, com sessões realizadas entre os dias 5 e 7 de outubro. Nesta semana, estão previstas mais duas sessões de discussão, na terça (13) e na quarta-feira (14), completando as cinco sessões exigidas pelo regimento antes da votação em primeiro turno.

Para contornar o intervalo regimental entre os dois turnos, a base aliada ao governo, liderada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), tenta reunir assinaturas suficientes para apresentar um requerimento de calendário especial.

*Sob supervisão de Leticia Martins, da CNN Brasil