Lula defende ampliar Mais Médicos e elogia Nísia, ex-ministra demitida

Nísia Trindade deixou o governo há 7 meses após sofrer uma "fritura política"; presidente afirmou que ela deixou "meio caminho pronto" para Padilha

Manoela Carlucci, da CNN, São Paulo
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Ao participar de uma agenda pública ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a ampliação do programa "Mais Médicos", mesmo reconhecendo que o número de profissionais já avançou.

"Quando a Dilma foi impichada, a gente tinha nesse país dezoito mil médicos no Mais Médicos. Quando nós voltamos, só tínhamos doze mil médicos. Obviamente, eu não preciso dizer que houve uma piora na saúde brasileira, se tinha no esquema de saúde oito mil médicos a menos. Pois bem, nós agora já estamos com quase trinta mil médicos, nós mais do que dobramos em apenas dois anos e meio a quantidade de médico que nós achamos e nós achamos que é pouco", disse o mandatário.

De acordo com o presidente, há uma "parte da elite médica brasileira" que não vê necessidade na formação de mais profissionais do meio da saúde.

"Tem muito médico numa certa região do país, nas cidades brasileiras, mas e quando a gente entra no coração desse país? Quando a gente vai para cidade de oito mil habitantes, cinco mil habitantes, sabe? Tem médico? Não tem", explicou Lula.

Em seu discurso na cerimônia do mutirão nacional para redução das filas do SUS (Sistema Único de Saúde), o chefe do Executivo elogiou a ministra que ocupava a pasta da Saúde, antes de Padilha assumir o posto.

Ao afirmar que a primeira coisa que teria dito para Nísia Trindade no início do governo, seria justamente sobre a necessidade de aprimoramento e ampliação do programa, Lula disse que ela "trabalhou com muita competência" e deixou "meio caminho andado" ao deixar o cargo.

"Posso dizer que a Nísia trabalhou com muita competência, brigou, organizou, sabe? E quando ela saiu, que entrou o Padilha, já tinha meio caminho andado para nós chegarmos onde chegamos".

A ex-ministra foi demitida, no início deste ano, após dois anos no Ministério. Ela, que se tornou a primeira mulher a chefiar a pasta, vinha sofrendo pressões para imprimir um viés mais político ao ministério.

A cerimônia realizada neste sábado (13), pelo Ministério da Saúde, faz parte de um intensivo do governo federal para "desafogar a demanda por serviços especializados" do SUS.