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    Lula é acusado de capacitismo ao dizer que não vão vê-lo de andador após cirurgia

    Presidente afirmou que, por orientação de seu fotógrafo pessoal, não será retratado usando equipamentos que lhe auxiliem na locomoção

    Lucas Schroederda CNN

    em São Paulo

    A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que as pessoas não o veriam de andador ou muleta após cirurgia no quadril, por orientação de seu fotógrafo pessoal, Ricardo Stuckert, repercutiu negativamente no meio político.

    A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), além do influenciador Ivan Baron — que subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Lula na posse do presidente — desaprovaram a afirmação do petista.

    “O Stuckert não quer que eu ande de andador. Ele já falou: ‘Não vou filmar você de andador’. Então, significa que vocês não vão me ver de andador, não vão me ver de muleta, vocês vão me ver sempre bonito como se eu não tivesse sequer operado”, disse Lula durante o programa Conversa com o Presidente, sua live semanal, na terça-feira (26).

    O mandatário será submetido a uma artroplastia total de quadril no lado direito nesta sexta-feira (29). Após a cirurgia, ele vai despachar do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, por no mínimo três semanas.

    No decorrer do programa de terça-feira, Lula revelou ainda que sofre de dores desde agosto de 2022, e que adiou a cirurgia no quadril para não passar uma imagem fragilizada após as eleições presidenciais do ano passado.

    “Visão distorcida e capacitista”

    A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que ficou tetraplégica após um acidente de carro em 1994, criticou a frase de Lula e afirmou que o presidente tem uma “visão distorcida e capacitista sobre as pessoas com deficiência”.

    “Lula tem uma visão distorcida e capacitista sobre as pessoas com deficiência. Caminhar, seja com andador, muleta ou cadeira de rodas, não enfeia ninguém, tampouco subtrai o potencial do ser humano. E ainda demonstra o quanto essa pessoa deve lutar para conseguir exercer cidadania”, escreveu Gabrilli nas redes.

    “Na contramão da luta por inclusão”

    A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) registrou que a declaração do presidente “vai na contramão da luta por inclusão e respeito” das pessoas com deficiência.

    “A fala de Lula que associa andador e muleta à vergonha e à feiura é equivocada e capacitista. As palavras importam e essa fala, intencional ou não, vai na contramão da luta por inclusão e respeito de milhares de pessoas com deficiência que utilizam equipamentos de acessibilidade”, pontuou a deputada.

    “Fala desnecessária”

    O influenciador digital Ivan Baron, que subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Lula no dia 1º de janeiro deste ano, também rechaçou o que chamou de “fala desnecessária” do chefe de Estado.

    “‘Vocês não vão me ver de ANDADOR, vocês não vão me ver de MULETA, vocês vão me ver SEMPRE BONITO’. E essa fala desnecessária que o presidente Lula reproduziu? É nítido que ele não falou por mal, mas, ao mesmo tempo, não podemos deixar esse erro capacitista passar despercebido.”

    “Associar o uso de tecnologia assistiva à falta de beleza é um tanto que problemático e não contribui em nada no processo de aceitação de quem precisa. Dá a entender que nossos corpos são errados e incompletos. Reforça o capacitismo”, complementou Baron.

    À CNN, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que não comentará o caso.