Tarifaço é injusto e plano de contingência vai aliviar prejuízos, diz Lula

Presidente destacou que governo federal vai trabalhar para "proteger os trabalhadores e as empresas brasileiras"

Yasmin Silvestre, da CNN*, Manoela Carlucci, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta terça-feira (5), que as tarifas anunciadas por Donald Trump ao Brasil são "injustas" e que o governo federal vai colocar em execução um plano de contingenciamento para auxiliar os mais afetados pela taxação.

"Foram mais de 10 reuniões em diferentes níveis [com os Estados Unidos]. Nós não podemos aceitar que o povo brasileiro seja punido. Diante do tarifaço, o compromisso do governo é com o povo brasileiro. Vamos colocar em execução um plano de contingência para mitigar esse ataque injusto e aliviar seus prejuízos econômicos e sociais. Vamos proteger os trabalhadores e as empresas brasileiras", afirmou o presidente durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

Na ordem de formalização da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, anunciada na última quarta-feira (30), o presidente norte-americano excluiu cerca de 700 produtos para ficarem de fora da sobretaxa, representando 45% da pauta exportadora do Brasil aos americanos.

A CNN já tinha adiantado que os setores nacionais que não saíram da lista e foram afetados pela taxação, articulariam a inclusão de seus produtos em uma nova lista de exceções que isente ou reduza a nova alíquota aplicada.

Críticas a Trump

Ainda durante seu discurso, o petista afirmou que o Brasil nunca "saiu da mesa do diálogo” com os Estados Unidos e criticou as ações políticas e comerciais anunciadas por Donald Trump.

“A única coisa que eu quero é ser tratado com respeito. Esse país merece respeito, e o presidente norte-americano não tinha o direito de anunciar as taxações da forma como fez. Não tinha”, declarou.

Em meio às suas últimas declarações defendendo a soberania nacional, Lula também afirmou que tem gente que acha que o brasileiro é “vira-lata” em relação aos EUA – expressão utilizada para se referir a pessoas que consomem e enxergam outras culturas como superiores a sua –, ele ressaltou que sabe negociar e que não aceitaria "lições de negociações" de terceiros.

“Defender o Brasil de hoje ficou muito mais complicado porque tem gente que acha que a gente vira-lata. (...) Nesse mundo ninguém me dá lição de negociação, eu já lidei muito com muitos magnatas do mundo e eu respeitei todos”, concluiu.