COP30

Marina adota postura diferente de 2008 e descarta demissão por licença

Há 17 anos, ministra do Meio Ambiente deixou o cargo após desgastes envolvendo o licenciamento de Belo Monte; auxiliares desconsideram essa possibilidade agora

Daniel Rittner, da CNN Brasil, Brasília
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A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já considerava praticamente inevitável a emissão da licença ambiental do Ibama para atividades de pesquisa da Petrobras na Foz do Amazonas.

Ela descarta abrir uma resistência "radical" dentro do governo e pedir demissão por causa do aval à exploração de petróleo na Margem Equatorial, segundo interlocutores.

Pessoas próximas afirmaram à CNN que sua prioridade, neste momento, é a COP30 e a negociação de alguma linguagem na conferência do clima que possa avançar no chamado "transitioning away" dos combustíveis fósseis -- mas reconhecendo que o problema para o aquecimento global está muito mais na demanda do que na oferta de petróleo.

Marina tem dito que a análise do Ibama para o pedido da Petrobras seria "absolutamente técnica", sem questões políticas, e auxiliares lembram que a petroleira já recebeu 29 licenças ambientais da autarquia apenas neste ano.

Em 2008, Marina deixou o mesmo cargo depois de um acúmulo de desgastes, envolvendo o licenciamento ambiental das usinas hidroelétricas do Madeira (RO) e, principalmente, de Belo Monte (PA).

A gota d'água na época, entretanto, foi a entrega da gestão do Programa Amazônia Sustentável para a Secretaria de Assuntos Estratégicos, comandada à época por Roberto Mangabeira Unger.

Para auxiliares, Marina agora terá outra postura porque "o momento é outro". Além da COP30, em Belém, interlocutores também mencionam a disputa política muito mais acirrada em um contexto de polarização.

A tendência da ministra, que foi eleita deputada por São Paulo em 2022 e se licenciou para assumir o ministério, é deixar a pasta em abril é candidatar-se novamente -- ela não definiu ainda a qual cargo.