Mendonça cita 1984, de George Orwell, ao pedir afastamento de Andrei

Ministro determinou ainda a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento dos relatórios da PF

Bruna Marotta, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, ao determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, terça- feira (8), citou o romancista George Orwell, autor do famoso livro 1984.

"Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que [a] a produção dos “relatórios de inteligência” em questão, [b] o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes [...]", redigiu Mendonça.

 

O livro de Orwell retrata a história de Winston Smith, um cidadão britânico que se vê inserido em um contexto de repressão. Onde o "Ministério da Verdade" controla o acesso à informações, permitindo somente propagandas oficial do regime.

"[...] a posterior divulgação desses “documentos”, revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo Tribunal Federal, além de outras autoridades públicas", continuou o ministro.

Supremo em crise

O contexto da citação de André Mendonça ocorre em meio a crise no STF, que tem como destaque o embate entre o magistrado e o também ministro Alexandre de Moraes.

Relator do Caso Master, André Mendonça levantou o sigilo de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e Alexandre de Moraes. Após a queda do sigilo, Moraes entrou com pedido de investigação contra o ministro.

Edson Fachin, presidente do Supremo, declarou que a resposta institucional à crise da Corte será "firme, proporcional e rigorosa". Segundo ele, as apurações seguirão os procedimentos previstos na Constituição e na legislação.

Ele ainda deu um prazo de cinco dias para manifestação de Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Gonet sobre a crise envolvendo o caso Master.

A partir dessas manifestações, Fachin deverá reunir as explicações dos envolvidos e analisar a regularidade das apurações, para então definir os próximos passos podendo levar a questão ao plenário do Supremo.

Além do afastamento do diretor-geral da PF, Mendonça determinou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento dos relatórios da PF, voltados a analisar a atuação dos ministros do STF.