Número 2 da PF diz ter "total confiança" em atuação de Andrei Rodrigues

William Murad deve assumir o comando da PF temporariamente após o ministro André Mendonça determinar, nesta terça (8), o afastamento do diretor-geral da corporação

Jonatas Martins, da CNN Brasil, Brasília
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O diretor-executivo da PF (Polícia Federal), William Murad, afirmou nesta terça-feira (8) ter "total confiança" na atuação de Andrei Rodrigues, chefe da corporação afastado do cargo nesta manhã.

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o afastamento do diretor-geral da PF em meio à crise na Suprema Corte. Número dois na linha de sucessão da PF, Murad deve assumir o comando da corporação temporariamente.

Durante evento na Academia Nacional da Polícia Federal, nesta manhã, Murad discursou para novos alunos do curso de formação da corporação e defendeu o colega: "Aqui, reafirmamos a nossa total confiança na direção-geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues".

O chefe da corporação afastado chegou a ir até o local onde ocorreu o evento, mas saiu antes do início da agenda após ter sido informado da decisão do ministro André Mendonça.

A fala do número dois da PF ocorreu cerca de 1h após a informação do afastamento de Andrei Rodrigues. "Temos o dever de defender a nossa instituição de ataques e da tentativa de usurpação de funções", apontou Murad.

Decisão de Mendonça

A decisão de André Mendonça pelo afastamento de Andrei Rodrigues ocorre após o ministro Alexandre de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.

Segundo Mendonça, os relatórios revelam um "monitoramento sistemático e ilegal", realizado por mais de 30 dias, sobre sua atuação e a de outras autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A decisão aponta ainda que os relatórios teriam exposto a Moraes e a terceiros detalhes de processos que tramitavam sob segredo de justiça.

“A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais”, diz o ministro na decisão.

Mendonça determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos investigatórios, nas esferas penal e administrativo-disciplinar, para apurar os fatos. A investigação deverá identificar quem determinou a produção dos relatórios, quem os elaborou, quando foram produzidos e se existem outros documentos semelhantes.

Votação da Segunda Turma

A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta terça-feira (8) para manter Andrei Rodrigues afastado da direção da PF. O julgamento, porém, está suspenso por pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Gilmar Mendes, o que atrasa a proclamação do resultado colegiado.

O caso estava em análise em sessão virtual da Segunda Turma do STF. Nesse modelo, os ministros possuem um prazo para registrar os votos na página eletrônica do processo.

Em menos de 10 minutos da abertura da sessão, Gilmar pediu vista e, em seguida, os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam o voto acompanhando o posicionamento de Mendonça na íntegra, consolidando a maioria.

Por se tratar de uma liminar, porém, mesmo sem a confirmação do colegiado, o afastamento segue válido. Gilmar tem até 90 dias para devolver a vista e liberar o julgamento. Os ministros ainda podem alterar os seus votos até a conclusão da análise.