SP: Milton Leite vai à polícia contra advogados do Jockey por racismo

Advogados do clube classificaram ex-presidente da Câmara Municipal de "antropoide desvairado" em petição sobre recuperação judicial

Iuri Pitta e Henrique Sales Barros, da CNN Brasil, em São Paulo
Milton Leite durante homenagem na Câmara Municipal de São Paulo, em 11 de dezembro de 2024
Milton Leite durante homenagem na Câmara Municipal de São Paulo, em 11 de dezembro de 2024  • Richard Lourenço/Rede Câmara
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Em São Paulo, o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite apresentou uma notícia-crime à Polícia Civil contra advogados do Jockey Club, acusando-os de praticar o crime de injúria racial.

A notícia-crime foi apresentada ao 78º Distrito Policial, segundo o ex-vereador. Agora, a polícia deve decidir pela abertura - ou não - de inquérito policial para se debruçar sobre o caso.

Milton Leite representou contra os advogados Vicente Renato Paolillo, José Mauro Marques, João Boyadjian e Hoanes Koutoudjian.

Os quatro assinaram, em 18 de março deste ano, o pedido de recuperação judicial do Jockey Club; a petição foi aprovada pelo Tribunal de Justiça do estado (TJ-SP) no final de setembro, com o reconhecimento de um passivo de R$ 19 milhões.

No documento, os advogados dizem que Milton Leite agiu como um "antropoide desvairado" após a Câmara Municipal aprovar um projeto proibindo corridas com animais envolvendo apostas, impactando diretamente na atuação do clube.

"Proprietários de cavalos, tirem seus cavalos de lá, porque serão presos", disse o então presidente da Câmara após a aprovação da proibição, narraram os advogados do jóquei.

O projeto foi aprovado em junho de 2024 e chegou a ser sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Porém, em maio deste ano, o TJ derrubou a lei, por entender que ela seria inconstitucional.

Para a defesa de Milton Leite, os advogados do Jockey agiram com "sotisficação linguística para o fim de promover ato de racismo público".

Baseando-se em resultados do dicionário Oxford Languages disponível no mecanismo de buscas da Google, a defesa apontou que "antropoide desvairado" seria como chamar o ex-vereador de "macaco que perdeu o juízo".

"O racismo gratuito e recreativo praticado pelos representados revela a face mais cruel e sofisticada da discriminação racial: aquela que não nasce de conflito real, de disputa ou de reação, mas da simples vontade de humilhar, de afirmar uma suposta superioridade racial", registra a notícia-crime.

"Os representados, todos homens brancos, de elevada instrução e larga experiência profissional, ao utilizar a expressão “antropoide desvairado” em documento judicial, conferiram aparência de erudição a uma ofensa que, em verdade, traduz o mais clássico insulto racista: reduzir o negro à condição de animal", acrescenta.

A CNN busca contato com o Jockey Clube e com os advogados que representaram a instituição na petição de 18 de março. O espaço segue aberto para manifestações.

Desapropriação

Desde os tempos na Câmara, Milton Leite é defensor de que o terreno do Jockey Club seja transformado em um parque. A ideia também é defendida pela prefeitura.

Um dos argumentos para transformar a área do jóquei em parque é que o clube deveria mais de R$ 800 milhões em tributos municipais, segundo a prefeitura.