Ministério da Saúde vai criar secretaria exclusiva para combate à Covid-19

Nova secretaria deve ser chefiada por alguém da estrita confiança do ministro Marcelo Queiroga

Daniela Limada CNN

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta quarta-feira (24) a criação de uma nova secretaria dentro da pasta dedicada exclusivamente para o combate à Covid-19.

O compromisso de Queiroga havia sido anunciado na reunião com chefes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, de acordo com a apuração da CNN.

Queiroga afirmou que a nova secretaria será chefiada por uma pessoa de sua estrita confiança e que vai funcionar 24 horas por dia. Além desta medida, o ministro também disse que vai orientar a suspensão emergencial das cirurgias eletivas e que a União deve financiar mais leitos para Covid-19 por todo o Brasil. 

Um plano rápido para a expansão de compra de insumos necessários para o chamado kit intubação e o investimento por parte do governo em telemedicina, a fim de diminuir parte do fluxo de pacientes aos hospitais.

O ministro também anunciou que estão deixando a pasta da Saúde os coronéis do Exército Élcio Franco, da Secretaria Executiva, e Franco Duardo, da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. O novo secretário-executivo será o engenheiro Rodrigo Cruz, que estava no Ministério da Economia, e a Secretaria de Atenção Especial à Saúde será comandada pelo ortopedista Sérgio Okane, conforme antecipou o colunista da CNN Igor Gadelha. 

O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao lado do general Eduardo Pazuello
O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao lado do general Eduardo Pazuello
Foto: WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Presente na reunião, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) fez cobranças ao governo e disse que o momento impõe como que uma maratona levada com velocidade de competição de 100 metros rasos. 

O deputado criticou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também presente no encontro, e mencionou que coube ao próprio presidente da Câmara fez um périplo nas embaixadas da Índia e da China a fim de conseguir liberar insumos médicos com mais rapidez. 

Nas conversas com essas embaixadas, Lira ouviu reclamações a respeito do chanceler brasileiro, que enfrenta dificuldades no diálogo com esses países. Assim, aumenta a pressão do Congresso Nacional para que Ernesto Araújo seja removido do cargo. 

Lira afirmou estar em contato com a iniciativa privada e defendeu um projeto de lei que ajude a abrir mais dois mil leitos para o tratamento de pacientes com Covid-19 em hospitais e clínicas privadas, estabelecendo a contrapartida destas instituições serem beneficiadas com abatimento de impostos. 

O presidente do Congresso e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) falou da necessidade de maior diálogo entre os entes da federação, pediu união nacional e recebeu do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a incumbência de coordenar a interlocução com os governadores, papel que Pacheco aceitou exercer. 

Na reunião, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, propôs que o novo comitê de combate à pandemia anunciado pelo presidente da República faça consultas aos órgãos de controle sempre antes de ser anunciada qualquer medida, para que não haja o risco de medidas anunciadas serem barradas na sequência. 

Embora tenha sido convidado para compor o comitê, Fux declinou da proposta argumentando que caberá ao STF eventualmente julgar a validade das medidas.

*Com informações de Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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