Molica: Ataques de Bolsonaro mobilizam militância que precisa de estímulo

No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (10), o comentarista Fernando Molica analisa as novas falas do presidente contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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No Liberdade de Opinião desta sexta-feira (10), Fernando Molica avaliou mais uma troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após o chefe do Executivo afirmar que “ninguém pode estar acima da Constituição”, referindo-se à prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), decretada por Moraes em fevereiro.

“Ninguém pode interpretar a Constituição da maneira que bem entender. Ninguém pode prender ninguém em flagrante delito – o policial pode, por outros motivos, mas um cidadão? – o flagrante delito… ainda mais prender um parlamentar. Não tem cabimento isso. Ninguém pode ser autoritário no país. E olhe só, quando se fala ditaduras, quem promove é o chefe do Executivo. Aqui é o contrário, é o chefe do Executivo brigando por democracia”, disse Bolsonaro em evento na tarde de quinta-feira.

Para Molica, é preocupante que o presidente tenha afirmado não ter tomado medidas autoritárias por conta da repercussão internacional negativa. Ele também destacou o avanço da campanha de Sergio Moro ao Planalto e as investigações contra aliados como fatores importante para o acirramento das tensões.

“Sempre que o presidente se vê acuado, ele parte para o ataque. Desde setembro ele estava mais quieto. Ele mobiliza a militância que precisa de estímulos, foi assim que o presidente cresceu na vida política.”

“Conversei ontem com um ministro do STF que disse não ver grande problema nesse tipo de afirmação, que era esperado e que está tudo sob controle. Este ministro lembrou que o presidente gosta de trabalhar questões periféricas”, destacou.

Na quarta-feira, Bolsonaro também fez críticas a Moraes. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, ele classificou como “abuso” um inquérito aberto pelo ministro para investigar a fala do presidente em que afirma que a vacina contra a Covid-19 pode ser um fator reprodutor do vírus HIV, que causa a Aids.

Segundo o comentarista, a estratégia tornou-se comum para despistar temas considerados como mais relevantes para o país. “Estamos diante de uma inflação subindo, taxas de juros que vão chegar aos dois dígitos e isso afeta a vida de todos nós. O presidente foge desses assuntos e joga para a arquibancada.”

“É uma situação delicada, mas que é uma repetição. É uma estratégia comum de Bolsonaro, que só sabe jogar assim. Joga na canelada, joga no confronto”, finalizou.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Fernando Molica e Ricardo Baronovsky. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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