Moraes: PL agiu de má-fé ao questionar urnas apenas no 2º turno da eleição

Ministro do STF explicou que não fazia sentido Partido Liberal pedir anulação apenas no 2° turno, sendo que urnas eram as mesmas do 1° turno

Gabriela Boechat e Davi Vittorazzi, Rafael Saldanha e Gabriela Piva, da CNN
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou, durante voto em julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão, nesta terça-feira (9), que o PL (Partido Liberal) agiu de má-fé ao questionar o resultado das urnas somente no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

"Houve o pedido de auditamento. Não é possível pedir que se anule só os votos do 2° turno, dizendo que 48% das urnas são irregulares, se essas urnas são as mesmas do 1° turno. Se anulasse no primeiro turno, os 99 deputados eleitos (do PL) cairiam pela metade", ressaltou Moraes.

"No primeiro turno não tem problema, no segundo, aí sim. Ou seja, uma má-fé que foi multada por litigância de má-fé".

O ministro ainda disse que a multa aplicada ao partido foi percentualmente pequena "para o que merecia essa má-fé".

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões ao PL, em 2022, por litigância de má-fé após a legenda questionar o resultado apurado nas urnas eletrônicas no segundo turno da eleição de 2022.

"Narrativa" contra a democracia

Em seu voto, magistrado também afirmou que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) foram usados para espalhar uma "narrativa" contra a democracia.

Para ele, houve um esquema entre esses órgãos para ameaçar a integridade da Justiça Eleitoral.

"A organização criminosa, ela se reuniu e, a partir de junho de 2021, passou a utilizar tanto o Abin quanto o GSI e, depois da adesão de outros réus de outros órgãos públicos, para estruturação, criação e divulgação dessa narrativa mentirosa em que ameaçava a integridade da Justiça Eleitoral. E, paralelamente, se desenvolveu no âmbito da Abin a chamada Abin paralela, se desenvolveu no âmbito da Abin um sistema de monitoramento, um sistema de perseguição em relação a adversários políticos", disse.

A leitura do relatório de Moraes iniciou a sessão desta terça. Depois dele, votam os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Nesta semana foram reservadas quatro datas para as sessões do julgamento, veja:

  • 9 de setembro, terça-feira, 9h às 12h e 14h às 19h;
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h;
  • 11 de setembro, quinta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h; e
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h.