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    Moraes vota para condenar primeiro réu do 8 de janeiro

    Ministro do STF disse que os ataques foram “ato violentíssimo contra o estado democrático de direito”

    Lucas Mendesda CNN

    em Brasília

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    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou, nesta quarta-feira (13), para condenar Aécio Lucio Costa Pereira, o primeiro réu acusado de participar dos atos de 8 de janeiro a ser julgado pela Corte.

    Para Moraes, ficou comprovado que o réu colaborou para a ação criminosa nos ataques que levaram à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

    O magistrado é o relator das ações e investigações sobre o 8 de janeiro na Corte. Ele votou para condenar Aécio Pereira pelos crimes de:

    • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
    • Golpe de Estado;
    • Dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima;
    • Deterioração de patrimônio tombado
    • Associação criminosa armada.

    O ministro propôs a fixação da pena em 17 anos, dos quais 15 anos e seis meses de prisão cumpridos em regime inicial fechado e, posteriormente, 1 ano e seis meses de detenção em regime aberto.

    Moraes também propôs o pagamento de 100 dias-multa, num valor de aproximadamente R$ 44 mil, além do pagamento solidário (em conjunto) com outros condenados em R$ 30 milhões por danos morais coletivos.

    Conforme o ministro, os atos de 8 de janeiro foram levados adiante por uma multidão que invadiu os prédios públicos em busca de uma intervenção militar seguida de golpe de Estado para derrubar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “Houve a entrada criminosa e golpista em um prédio onde havia bloqueios, em dinâmica de vandalismo e violência, com ações organizadas que se estenderam muito além do ingresso no edifício e não houve recuo, porque o objetivo era claro: obter uma intervenção militar, conseguir o golpe de Estado e derrubar o governo democraticamente eleito”, resumiu o ministro.

    “A tentativa de morte da democracia não é pacífica, é um ato violentíssimo. O que ocorreu dia 8 de janeiro foi um ato violentíssimo contra o Estado Democrático de Direito”, declarou.

    O STF agendou para esta quarta o julgamento dos primeiros quatro réus acusados de participar da execução do vandalismo às sedes dos Três Poderes. Até o momento, os ministros analisam o caso de Aécio Pereira.

    Depois do voto de Moraes, quem vota é o ministro Nunes Marques.

    A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A defesa defendeu a absolvição do réu, diante da falta de individualização das condutas e por entender que faltaram provas para confirmar as condutas imputadas.

    Aécio Pereira foi preso em flagrante dentro do Senado em 8 de janeiro. No local, ele se filmou na mesa do plenário com uma camiseta que pedia intervenção militar. Ele está preso preventivamente em Brasília.

    Morador de Diadema (SP), ele tem 51 anos e veio a Brasília em um ônibus fretado por um grupo chamado “Patriotas”, chegando na capital federal no sábado, 7 de janeiro.

    Em depoimento à polícia e no interrogatório aos juízes auxiliares do gabinete de Moraes, ele disse que pagou pela viagem e que seu objetivo ao vir para Brasília era “lutar pela liberdade”.

    Voto de Moraes

    Moraes disse que os atos criminosos de 8 de janeiro foram executados por uma multidão, e que por isso os crimes são chamados de “multitudinários”. Por esse motivo, como apontou a PGR, não é preciso descrever a conduta individual de cada acusado.

    Segundo o magistrado, as condutas imputadas aos réus são corroboradas por imagens de câmeras de segurança e pelas declarações de testemunhas ouvidas no processo.

    Veja também: Análise: A repercussão política do julgamento dos primeiros réus pelo 8 de janeiro

    “Essa execução é multitudinária, é uma alma coletiva uma multidão criminosa. Aquele movimento em massa passa a realizar as condutas criminosas. Um agente acaba exercendo influencia no outro, induzindo e instigando o outro e as condutas vão sendo praticadas pela turba, pela multidão”, afirmou.

    “Não há dúvidas de que todos contribuíram para o resultado”, afirmou. “Não há nada de pacífico nesses atos. São atos criminosos, antidemocráticos, realmente que estarreceram a sociedade brasileira. Tudo faz parte do crime de multidão”.

    Em seu voto, Moraes resumiu como se deu a tentativa de golpe de Estado pelos acusados.

    “A ideia era que a partir dessa destruição, essa tomada dos três prédios que representam os Três Poderes da República, houvesse a necessidade de uma GLO [garantia da lei e da ordem] e, com isso, eles estavam pedindo que as forças militares, principalmente o Exército, aderissem a esse golpe de Estado”, declarou.

    “Esse foi o planejamento e execução, que não ganharam respaldo das Forças Armadas, e as forças de segurança posteriormente foram acionadas e retiraram os criminosos dos três prédios e fizeram as prisões em flagrante”, completou.

    Conforme o magistrado, é crime pedir intervenção militar e a queda do governo democraticamente constituído. “Não existe liberdade de manifestação para atentar contra a democracia, pedir AI-5, volta da tortura, para pedir a morte de inimigos políticos, os comunistas e para pedir intervenção militar. Isso é crime”, afirmou.

    Moraes fez ainda um aceno ao Exército, livrando a força de responsabilidade pelos atos. “O fato de eventuais militares terem participado de ações golpistas e estarem sendo investigados não macula uma verdade histórica, de que o Exército brasileiro não aderiu a esse devaneio golpistas de vários, inclusive políticos que estão sendo investigados”.

    Sobre a atitude dos invasores, Moraes disse que muitos estavam armados e organizados para tomar os prédios e permanecer nos locais para inviabilizar o trabalho dos órgãos.

    “A ideia era continuar nos prédios para inviabilizar o exercício dos Poderes e para que – com aquela primeira adesão lamentável que houve por parte de determinados oficiais da Polícia Militar – a polícia não retiraria. E, no momento em que – se houvesse a necessidade – o Exército fosse convocado, tentariam convencer o Exército a aderir a esse golpe de Estado”, afirmou.

    “[Os invasores] não saíram dos prédios porque depois da visita resolveram voltar para casa. Só saíram quando a polícia chegou, inclusive com bombas de gás lacrimogêneo”, disse.

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