MP das blusinhas: Alcolumbre acena a Lula com Comissão

Congresso instala comissão mista para analisar MP que zera imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50; analista de Política da CNN Teo Cury explica aceno de Alcolumbre

Da CNN Brasil
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O Congresso Nacional marcou para esta quarta-feira (12) uma sessão para instalar a comissão mista responsável por analisar a MP (Medida Provisória) que extingue o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como "taxa das blusinhas". Segundo apuração do analista de Política da CNN Teo Cury, ao CNN Novo Dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acena ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a instalação da comissão.

A MP foi editada em maio e tem validade até o fim de setembro, o que impõe urgência ao processo legislativo: se não for aprovada pelo Congresso dentro do prazo, a tributação de 20% será automaticamente retomada.

Reaproximação política entre Lula e Alcolumbre

A instalação da comissão carrega um significado político que vai além da pauta econômica. Segundo Teo Cury, a iniciativa representa um aceno de Davi Alcolumbre ao Palácio do Planalto, em meio a um movimento de reaproximação entre ele e Lula.

Na terça-feira (11), os dois conversaram, e há expectativa de um encontro presencial nesta quarta (12), assim como uma reunião entre Lula e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Alcolumbre teria dado celeridade à análise do tema ao colocá-lo formalmente em discussão com a instalação da comissão, o que foi bem recebido pelo governo.

"O governo tem pressa em ver esse tema sendo votado no Senado Federal", afirmou Teo Cury, acrescentando que a MP esteve parada por muito tempo em meio ao distanciamento entre Lula e o presidente do Senado. A reaproximação entre os dois, mirando 2027, teria sido o gatilho para o desbloqueio da pauta.

Impacto fiscal e microeconômico

O colunista do CNN Money Gilvan Bueno apresentou dados de um estudo do Ministério da Fazenda, por meio da Subsecretaria de Administração Aduaneira, que mapeou o impacto fiscal da manutenção da isenção.

Segundo o levantamento, a ausência do tributo representaria uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 2 bilhões em 2026, R$ 3,5 bilhões em 2027 e R$ 4,2 bilhões em 2028 — totalizando cerca de R$ 10 bilhões ao longo de três anos. "Pelo ponto de vista fiscal, tem um impacto muito significativo não ter esse tributo sobre o bem", destacou Gilvan Bueno.

Além do aspecto fiscal, Gilvan Bueno apontou o impacto microeconômico da questão. O Brasil conta com mais de 24 milhões de empresas, sendo 75% delas micro e pequenas, que frequentemente não conseguem competir em preço com as plataformas internacionais.

Esse cenário estaria relacionado ao endividamento, ao fechamento de empresas e à inadimplência no setor. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e o CNI (Confederação Nacional da Indústria) também apresentaram estudos sobre a perda de competitividade da indústria brasileira nos últimos anos, agravada pelo alto custo do crédito.

Tributações adicionais já em curso

Gilvan Bueno destacou ainda que, mesmo com a eventual manutenção da isenção federal, os municípios já estão cobrando ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 17% sobre essas compras.

A partir de 2027, uma tributação adicional — o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), estimado em cerca de 8,8% — também passará a incidir sobre as transações. "Mesmo que tenha essa discussão agora, tem o CBS chegando e os municípios estão cobrando uma alíquota de 17%", pontuou o especialista.

Teo Cury ressaltou que qualquer decisão sobre o tema terá impactos inevitáveis: tanto sobre a indústria, que enfrenta a concorrência das plataformas estrangeiras, quanto sobre o eleitorado que realiza compras internacionais.

"O governo está muito de olho nisso porque alguma briga ele vai acabar comprando nessa história toda", afirmou, observando que a decisão também tem peso eleitoral para Lula na busca pela reeleição.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.