"Não há colaboração do MP", diz Dino sobre alegações das defesas

Em voto, ministro acrescentou que há uma "duplicidade investigativa constante do nosso Código de Processo Penal"

Gabriela Boechat, Davi Vittorazzi e Maria Clara Matos, da CNN, Brasília e São Paulo
Compartilhar matéria

Durante seu voto no caso que julga uma tentativa de golpe de Estado nesta terça-feira (9), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que não existe nenhuma colaboração do MP (Ministério Público) no caso.

"A outra, para eliminar, que é frequentemente agitada, é sobre uma culpa de colaboração premiada. Esse é um dos institutos mais desafiadores do sistema jurídico brasileiro, outro que recente, inclusive. Por isso mesmo, sempre sujeito a questionamentos legítimos", afirmou o magistrado.

"Mas, já temos algumas certezas a estas alturas consolidadas. Uma delas é que não há uma colaboração do Ministério Público, porque no nosso sistema nós temos uma duplicidade investigativa constante do nosso Código de Processo Penal", ele acrescenta.

A sessão foi encerrada às 17h02 desta terça-feira após os votos de Flávio Dino e Alexandre de Moraes, sendo que ambos condenaram os réus. O julgamento é retomado na quarta-feira (10) com os votos de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado.

As defesas de alguns dos réus, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), questionam o acordo de colaboração premiada firmado entre o tenente-coronel Mauro Cid e o MPF (Ministério Público Federal).

Dino votou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete réus por golpe de Estado. O placar está em 2 a 0.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão da ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Para esta semana, foram reservadas quatro datas para as sessões do julgamento, veja:

  • 9 de setembro, terça-feira, 9h às 12h e 14h às 19h;
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h;
  • 11 de setembro, quinta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h; e
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h.