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    O que foi dito durante a campanha é uma coisa, o que acontece durante o governo é outra, diz Mauro Vieira

    Diana Mondino foi enviada sem alarde ao Brasil pelo presidente eleito para entregar ao chanceler brasileiro o convite para que Lula participe da posse de Milei

    Teo CuryMayara da Pazda CNN

    Brasília

    O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, afirmou neste domingo (26), em referência às críticas feitas pelo presidente eleito argentino Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é preciso distinguir o que é dito durante uma campanha eleitoral da postura adotada pelo futuro governo.

    Vieira conversou com jornalistas horas após se reunir, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com a futura chanceler argentina, Diana Mondino, e com os embaixadores do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, e da Argentina no Brasil, Daniel Scioli.

    Mondino foi enviada sem alarde ao Brasil pelo presidente eleito para se reunir com Vieira e entregar ao chanceler brasileiro uma carta com um convite para que Lula participe da posse de Milei no próximo dia 10, em Buenos Aires. Esta foi a primeira viagem internacional de Mondino.

    A visita da futura chanceler, segundo fontes diplomáticas, tem como objetivo enviar “sinais apaziguadores” ao governo brasileiro depois que Milei, durante a campanha, chamou Lula de “comunista” e “corrupto”, e declarou que não pretende se reunir com o presidente durante seu mandato.

    “O que foi dito durante a campanha é uma coisa, o que acontece durante o governo é outra. Eu não sei, como eu disse, se o presidente [Lula] poderá ir ou não. Ele estará chegando de uma longa visita do exterior e terá a cúpula do Mercosul no Brasil. Eu não tenho resposta, não posso responder”, afirmou o chanceler.

    Em uma tentativa de aparar as arestas em meio às críticas de Milei a Lula, Mondino afirmou neste domingo a jornalistas que é preciso separar Estado, de governo e pessoas.

    “A parceria vai continuar, o melhor e o mais rápido que pudermos”, disse.

    “Creio que a principal mensagem é que somos países irmãos e que vamos continuar sendo. Precisamos trabalhar muito juntos para fazer crescer nossos países”, afirmou Mondino.

    Posse de Milei

    O governo brasileiro ainda não informou se o presidente viajará para Buenos Aires para participar da posse. Milei convidou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que confirmou que estará presente na cerimônia.

    Vieira afirmou que não há, por parte do governo brasileiro, nenhum tipo de problema ou constrangimento com presença do ex-presidente Bolsonaro na cerimônia de posse do presidente eleito argentino. O chanceler afirmou que levará o convite de Milei a Lula para que o presidente brasileiro tome uma decisão.

    “Eu tenho que discutir [a ida à posse] com o presidente. Eu não posso responder sobre isso, eu vou levar a ele, ele tem que ser informado sobre o conteúdo. Eu não tive a ocasião sequer para falar com ele para dizer que recebi a carta. Ele estava com outros compromissos e, portanto, só posso responder depois que falar com ele”, afirmou.

    Lula apoiou o candidato governista Sergio Massa durante a campanha eleitoral argentina. Massa passou para o segundo turno, mas foi derrotado por Milei.

    O presidente não telefonou para cumprimentar Milei pela vitória, apenas publicou em suas redes sociais uma mensagem em que elogia as instituições democráticas e parabeniza o povo argentino pelo processo eleitoral, sem citar o nome do presidente eleito.

    Um dia após a vitória de Milei, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, afirmou que o presidente Lula só deve conversar com o presidente eleito argentino depois que ele pedir desculpas.

    “Ele ofendeu de forma gratuita o presidente Lula. Seria um gesto dele como presidente eleito, de ligar para se desculpar. Depois que acontecesse isso eu pensaria na possibilidade de conversar” afirmou Pimenta.

    Relações bilaterais e Mercosul

    Mauro Vieira afirmou que a visita serviu para que ele e a colega pudessem ter um primeiro contato e para que pudessem conversar sobre o futuro de projetos comuns entre os dois países, da possibilidade de corredores bioceânicos, questões do Mercosul e da ampliação e aprofundamento das decisões do bloco.

    “Foi uma grande ocasião e um gesto dela de querer ser portadora pessoal desta carta do presidente. Foi uma reunião produtiva, em que discutimos vários temas e ela já está de regresso”, afirmou.

    Mais cedo, a futura chanceler argentina afirmou a jornalistas que ela e Mauro Vieira discutiram aspectos da relação bilateral e o atual estágio das negociações Mercosul-UE.

    “Falamos sobre a importância de firmar o Mercosul, quanto ao Mercosul e à União Europeia, e eventualmente com outros países como Cingapura e o EFTA, associação europeia de países nórdicos”, disse.

    Questionado sobre as declarações de Milei durante a campanha eleitoral sobre a uma possível saída abrupta do Mercosul, Vieira afirmou que, em sua avaliação, o que vale é o que a futura chanceler disse sobre a Argentina querer um Mercosul maior e melhor, e sobre ela ter se referido positivamente em relação ao acordo com a União Europeia.

    “Nós também conversamos, eu também indiquei a ela em que áreas durante essa presidência brasileira, que se encerra agora, presidência brasileira do Mercosul, em que outros países, outras regiões estavam negociando, ela manifestou satisfação de saber”, disse aos jornalistas.

    “Portanto, o que vale para mim é isso. Nós vamos trabalhar juntos, com este governo, até o final do mandato, e depois, com o novo governo, sabendo que há esse desejo de avançar no Mercosul”.

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