Oposição busca assinaturas para CPI dos Correios na Câmara
Parlamentares têm expectativa de alcançar as 171 assinaturas necessárias até esta sexta-feira (17)
A oposição começou a recolher assinaturas para criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) destinada a investigar o rombo orçamentário dos Correios e a negociação de um empréstimo à estatal no valor de R$ 20 bilhões. Até o momento, o requerimento conta com 127 assinaturas.
A articulação é liderada pela deputada Caroline De Toni (PL-SC), líder da Minoria. “O Brasil precisa de responsabilidade fiscal e respeito ao pagador de impostos, não de resgates bilionários a estatais falidas. Nossa luta é por um Estado mais leve, eficiente e que sirva às pessoas, não aos interesses do poder”, afirmou a parlamentar.
O empréstimo, que teria garantia do Tesouro Nacional, serviria para equilibrar as contas da empresa. A negociação foi confirmada ontem (15) pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon.
Para a instalação da CPI são necessárias 171 assinaturas. A expectativa da oposição é atingir o número até amanhã, segundo apurou a CNN. Caso isso ocorra, o grupo pretende convocar uma coletiva de imprensa na próxima semana para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a instalar a comissão.
O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), defende que o pedido seja de uma CPMI, e não apenas de uma CPI, por considerar que uma comissão exclusiva da Câmara teria pouca efetividade e dificilmente seria instalada por Hugo Motta (Republicanos-PB).
Outras estatais
De Toni também mira outras estatais que apresentam déficits bilionários recorrentes.
A parlamentar também solicitou celeridade na tramitação do PL 2701/2025, que estabelece critérios técnicos e econômicos para a celebração de contratos de patrocínio por empresas estatais, prevenindo desvios de finalidade no uso de recursos públicos. O projeto foi protocolado por De Toni em junho.
Outra medida tomada pela oposição foi a apresentação de um pedido de convocação do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para prestar esclarecimentos ao Congresso. O requerimento ainda precisa ser votado.
Empréstimo
A estatal discute a possibilidade de um crédito de R$ 10 bilhões para este ano e outros R$ 10 bilhões para o próximo, com objetivo de equilibrar as contas. O pagamento teria a garantia da União — medida que está sendo amplamente criticada pelos opositores do governo.
Segundo Emmanoel Rondon, a empresa ainda não pode apresentar os termos do empréstimo, que ainda está em fase de “negociação”.
O primeiro passo para a aprovação do crédito será o aval do conselho de administração da empresa. O plano foi apresentado ao colegiado nesta quarta-feira e deve ser analisado até a próxima sexta-feira (24).
No primeiro semestre, os Correios tiveram prejuízo de R$ 4,3 bilhões – mais do que triplicando o desempenho negativo registrado no mesmo período do ano passado, que ficou em R$ 1,3 bilhão.


