Pedido de indiciamento de ministros do STF foi baseado em fatos, diz Vieira
Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (15), relator da CPI do Crime falou sobre conclusão dos trabalhos da comissão
O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que solicitou o indiciamento de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no relatório da comissão com base "nos fatos" verificados pelo colegiado.
"O indiciamento foi feito com base nos fatos que foram detectados ao longo do tempo pela comissão parlamentar de inquérito", pontuou em entrevista à CNN nesta quarta-feira (15). "Todos eles são fatos notórios, públicos e nunca foram contestados pelos envolvidos."
No relatório final da CPI, o relator pediu indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade.
À CNN, Vieira disse que Dias Toffoli teve "medidas absolutamente atípicas" quando era relator do caso do extinto Banco Master, investigado por fraudes financeiras.
O parlamentar cita a empresa da qual Toffoli era sócio, Maradit, que vendeu participação no Resort Tayayá, que já foi ligado à família do magistrado, ao Fundo Arleen.
O fundo era administrado pela Reag, citada na operação Carbono Oculto, da PF (Polícia Federal).
"Eu não estou acusando Dias Toffoli, não fiz isso no relatório e não estou fazendo isso agora, de cometer corrupção passiva. O que fiz no relatório foi apontar indícios de cometimento de crime de responsabilidade em duas modalidades", explicou.
Para Viera, Moraes atua "de forma direta" no processo do Banco Master. O senador citou contratos da empresa da esposa do ministro com a extinta instituição financeira para explicar o pedido de indiciamento.
"O ministro Alexandre também tem acesso a benesses e luxos fornecidos por esse grupo, aparentemente, sem contra prestação. A gente está falando de viagem de jatinho que se estima que custaria, em um ano, cerca de R$ 1 milhão", completou.
Na época, o magistrado afirmou que houve desvio de finalidade na aprovação do requerimento pela comissão porque o objeto inicial de investigação não teria relação com a empresa de sociedade de seu colega de STF.
Gilmar Mendes disse a interlocutores na noite desta terça-feira (14) que irá representar Alessandro Vieira na Procuradoria-geral da República por abuso de poder em razão do relatório apresentado pelo parlamentar no colegiado.


