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    Pelo menos 44 prefeitos foram recebidos por pastores no Ministério da Educação

    Reuniões começaram a acontecer pouco antes de Milton Ribeiro completar dois meses no cargo, em setembro de 2020

    Leandro Resende e Renata Agostinida CNN

    No Rio de Janeiro e em Brasília

    Pelos menos 44 prefeitos foram recebidos pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, em reuniões com os pastores evangélicos Arilton Moura e Gilmar Santos, apontados como intermediadores da liberação de recursos federais para prefeituras em todo o país. As agendas constam nos registros do Ministério da Educação.

    Os dados, levantados pela CNN, mostram que as reuniões com o ministro, acompanhado dos pastores, começaram a acontecer pouco antes de Ribeiro completar dois meses no cargo, em setembro de 2020. Em quinze meses, os nomes dos dois religiosos aparecem em 19 registros públicos da agenda do ministro.

    Os encontros evoluíram de visitas de “cortesia” para participação em agendas de “alinhamento político”. A participação de prefeitos não se deu apenas nos encontros que tinham a política como pauta divulgada: os chefes dos Executivos municipais também participaram de agendas marcadas como “cumprimentos” e debates sobre “obras” nas cidades.

    Com portas abertas no MEC, os pastores, que se apresentavam como ligados à Assembleia de Deus, participaram de encontros cuja pauta eram as escolas cívico-militares e até de uma entrevista do ministro a um jornal. O caso colocou Milton Ribeiro na mira do Congresso, que quer explicações, da bancada evangélica e da Justiça.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve pedir ainda nesta quarta-feira (23) a abertura de uma investigação sobre o caso, revelado em reportagens dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Em áudios, Ribeiro Ribeiro afirma que recebeu um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que a liberação de verbas da pasta seja direcionada para prefeituras específicas a partir da negociação feita por dois pastores evangélicos que não possuem cargos no governo federal.

    Na gravação, Ribeiro diz que se trata de “um pedido especial do presidente da República”.

    “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, diz o ministro na conversa com prefeitos e outros dois pastores, segundo o jornal.

    Ribeiro continua: “Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar.”

    Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são os citados nos áudios. Segundo o jornal, os dois religiosos têm negociado com prefeituras a liberação de recursos federais para obras em creches, escolas e compra de equipamentos de tecnologia.

    Outro lado

    Milton Ribeiro se posicionou sobre o tema na terça-feira (22) e não contestou a veracidade do áudio divulgado, e sim negou que suas falas implicassem no favorecimento de aliados evangélicos.

    “Diferentemente do que foi veiculado, a alocação de recursos federais ocorre seguindo a legislação orçamentária, bem como os critérios técnicos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação [FNDE]. Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, diz trecho da nota enviada pelo ministro.