Atlas é realizada sem qualquer tipo de viés, diz head de análise política
Em entrevista ao CNN 360°, Yuri Sanches, da AtlasIntel, defende metodologia da pesquisa e explica separação entre questionário e teste de reação ao áudio vazado
O head de análise política da AtlasIntel, Yuri Sanches, defendeu a metodologia da pesquisa divulgada pelo instituto, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seis pontos percentuais atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno à Presidência. A pesquisa gerou polêmica após o PL acionar o TSE pedindo a suspensão de sua divulgação. A entrevista ocorreu no CNN 360°
Segundo o partido, o questionário teria direcionado negativamente os entrevistados contra Flávio Bolsonaro ao incluir a exibição de um áudio em que o pré-candidato conversa com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Yuri Sanches, no entanto, rejeitou a acusação e esclareceu como o processo foi conduzido.
Como funcionou a metodologia
O analista explicou que o áudio não foi apresentado aos entrevistados durante o preenchimento do questionário. "O respondente chega no questionário e ele preenche todas as respostas — aprovação do presidente Lula, avaliação de governo, imagens de políticos, intenção de voto — responde o questionário inteiro e submete", afirmou Sanches. Somente após o envio das respostas, o participante era redirecionado a uma interface completamente separada, sem possibilidade de retornar ao questionário ou modificar qualquer resposta.
Nessa segunda etapa, o respondente era convidado, de forma opcional, a gravar sua reação ao conteúdo do áudio. "Ele pode abandonar a pesquisa ali, porque a resposta que ele deu ao questionário já tinha sido registrada e validada", destacou Sanches. A amostra utilizada nessa fase contou com cerca de 1.200 respondentes, calibrada por gênero, idade, faixa de renda e nível educacional. A ferramenta utilizada, chamada Atlas VRC, já havia sido aplicada anteriormente em campanhas publicitárias e análises de conteúdo político.
Impacto do áudio na candidatura de Flávio Bolsonaro
Sanches avaliou que o áudio teve ampla repercussão, inclusive dentro do campo conservador, com figuras como Romeu Zema (Novo) se manifestando criticamente. Segundo o analista, isso contribuiu para que o escândalo do Banco Master passasse a ser associado mais claramente ao entorno bolsonarista. "Aquela camisa que o Flávio vestiu há pouco tempo — de que o Master é do Lula — acaba sendo complicado, caindo por terra", disse.
O analista apontou que a percepção de que o escândalo estaria ligado ao círculo bolsonarista cresceu 20 pontos percentuais em relação a uma pesquisa realizada em março. Além disso, 13% do eleitorado afirmou se sentir menos ou muito menos disposto a votar em Flávio Bolsonaro. "No primeiro grande desafio, na primeira grande pauta importante que Flávio sofreu desde que lançou a sua candidatura, o impacto foi significativo", concluiu.
Cenário eleitoral polarizado
Sobre a transferência de votos, Sanches observou que a queda de Flávio não beneficiou diretamente Lula, mas distribuiu-se de forma tímida entre candidatos como Renan Santos (Missão), e Zema. "Temos um cenário em que existem dois polos bastante cristalizados", afirmou.
O analista também destacou que o espaço de crescimento para Lula no primeiro turno é limitado. "Lula teve cerca de 48% dos votos válidos em 2022 e está próximo já desse patamar", disse Sanches, acrescentando que o desafio do atual governante é reconquistar o eleitorado que lhe deu um voto crítico na última eleição.


