PF aponta cobrança de enteado de Jaques a Lima: “Amanhã vencem os boletos”
Investigação mostra transferência de R$ 3,5 milhões entre empresas ligadas às partes investigadas, semanas após troca de mensagens

Mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) no âmbito das investigações de supostas fraudes do Banco Master mostram Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do líder do PT no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), cobrando Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).
Segundo os investigadores, no dia 4 de setembro de 2025, Eduardo Martins mandou uma mensagem a Augusto Lima dizendo: "Amanhã vence [sic] os boletos e são altos".
Em resposta, o ex-sócio do Master afirmou que o cenário estava "crítico" e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação de venda do Banco Master para o BRB (Banco Brasília), "sugerindo inclusive que se cancelasse a nota para posterior emissão", diz o trecho da decisão.
Pouco mais de um mês depois, foi constatada a transferência de R$ 3.500.000,00 entre empresas ligadas às partes investigadas.
"Em 17/10/2025, a operação foi concluída com transferência de R$ 3.500.000,00 à BN FINANCEIRA LTDA. [empresa vinculada a Eduardo], feita pela PKL ONE PARTICIPAÇÕES S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto", apontam os investigadores.
Nova fase da operação
Na nona fase da Operação Compliance Zero, agentes foram às ruas cumprir 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Além de busca e apreensão, também foram cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
São investigados os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal apreendeu cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) em endereços ligados ao senador, em Brasília e na Bahia.
Procurada pela CNN Brasil, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF hoje são "desnecessárias" e negou qualquer prática ilícita.
"De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos", diz o comunicado.
"Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública."
À CNN, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que nunca atuou em favor do Banco Master e que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.
Leia a nota completa abaixo:
"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá".


