PF apreendeu celular, tablet e documentos na casa de Ciro, diz advogado

Nova fase da operação Compliance Zero fez busca e apreensão na residência do senador nesta quinta-feira (7)

Anna Júlia Lopes, Gabriela Piva, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que atua na defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), disse nesta quinta-feira (7) que a PF (Polícia Federal) apreendeu um "celular, um tablet e documentos" na casa do parlamentar, durante nova fase da operação Compliance Zero.

O político foi um dos alvos da ação de hoje.

O advogado de Ciro define a medida como "invasiva", mas diz que a busca e apreensão "foi absolutamente tranquila". Segundo ele, os itens detidos não geram preocupação.

A residência de Ciro foi alvo de busca e apreensão da PF após o parlamentar ser indicado como destinatário central de vantagens indevidas e como agente público que teria utilizado o mandato parlamentar a favor de Vorcaro.

O ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) está proibido de entrar em contato com investigados e testemunhas do caso.

O objetivo da quinta fase da operação, que investiga crimes relacionados ao antigo Banco Master e Daniel Vorcaro, é aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Ao todo, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, nesta quinta fase da operação.

Investigação

A Policia Federal apontou, em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), que Ciro Nogueira recebeu "vantagens indevidas" de Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

Segundo o documento, o parlamentar teria apresentado uma emenda com objetivo de ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo investigadores, o instrumento teria sido elaborado com participação de integrantes do Banco Master.

No documento que autoriza a operação, Raimundo Nogueira — irmão de Ciro — aparece "individualizado como agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar do senador".

O que diz Ciro Nogueira

"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."

*Em atualização