PL, PT e Centrão avaliam que desistência de Moro deve fortalecer a polarização e aumentar número de indecisos

No partido de Bolsonaro, o entendimento é que a saída de Moro cristaliza a polarização, mas que a transferência de votos será para o presidente

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro
O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro Andressa Anholete/Getty Images

Leandro Resende

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Políticos do PT, partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PL, do presidente Jair Bolsonaro e lideranças do grupo de partidos que compõem o chamado Centrão preveem que, num primeiro momento, a saída de Sergio Moro da corrida eleitoral deve fortalecer a polarização e aumentar o número de indecisos nas próximas pesquisas eleitorais.

À CNN, dirigentes petistas afirmaram que a saída de Moro do Podemos para o União Brasil e seu movimento de, agora, dizer que não concorre mais à Presidência, enterra a tese da terceira via e reforça a polarização entre Lula e Bolsonaro.

Sobre quem herda os votos do ex-juiz, a avaliação interna de alguns integrantes do partido é de que as pesquisas sem Moro mostrarão o crescimento do número de indecisos e de votos nulos e em branco. No PL, partido de Bolsonaro, o entendimento de lideranças ouvidas pela reportagem é que a saída de Moro cristaliza a polarização, mas que a transferência de votos será para Bolsonaro.

“Quem é eleitor do Moro jamais votaria no Lula, e se essa transferência acontecer, será residual”, afirmou um líder do partido. A aposta é de que sem Moro, a campanha de Bolsonaro deverá focar ainda mais na busca pelo sentimento antipetista.

Lideranças do Centrão avaliaram que a terceira via sem Moro –que era quem melhor pontuava nas pesquisas, atrás de Lula e Bolsonaro– impede a formação de palanques locais para fortalecer uma alternativa aos que lideram as pesquisas presidenciais.

“Para um prefeito, que vai agora se engajar numa campanha de deputado ou governador, é impossível fazer campanha para pessoas conhecidas que estão indecisas sobre ser ou não candidatas, ou para completos desconhecidos”, afirmou o presidente de uma legenda de centro aliada a Bolsonaro.

Nas redes, polarização ganha força

Levantamento da Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP) sobre a presença dos presidenciáveis nas redes sociais mostrou que a quase desistência de João Doria (PSDB) da corrida presidencial e a saída de Moro foi mais um elemento a reforçar a polarização do embate entre Lula e Bolsonaro.

A análise de 1,2 milhão de postagens no Facebook entre janeiro e esta quinta-feira (31) –com toda a expectativa sobre o que pretendia dória e a saída de Moro da corrida presidencial–, mostrou que 53% das interações sobre política na plataforma são de perfis ligados ao presidente Jair Bolsonaro.

As páginas voltadas a Lula respondem a 31% do debate público. Os outros 16%, na avaliação da FGV, são de páginas ligadas a outras candidaturas, mas que não conseguem apresentar alcance e engajamento suficiente para incomodar as duas candidaturas, de Bolsonaro e Lula, que despontam nas pesquisas eleitorais.

Na análise do que os presidenciáveis têm dito, a FGV identificou que corrupção, inflação e alta do preço dos combustíveis são os temas que mais apareceram nas falas dos pré-candidatos no primeiro trimestre.

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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