TCU apura se, enquanto juiz, Moro influenciou alvos da Lava Jato a contratarem consultoria de empresas americanas

Ex-ministro, que trabalhou na americana Alvarez e Marsal, disse que as acusações são falsas e que tem o objetivo de interferir no processo eleitoral

Ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro
Ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro 15/03/2022REUTERS/Adriano Machado

Carolina Brígido

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O setor de inteligência do Tribunal de Contas da União (TCU) está elaborando um relatório com indícios de que o ex-juiz Sergio Moro teria influenciado empresas investigadas na Lava Jato a contratar empresas americanas de consultoria como condição para homologar acordos de leniência. Entre essas empresas, estaria a Alvarez & Marsal, que contratou Moro após ele deixar de ser juiz federal e, em seguida, o Ministério da Justiça. Em nota, o ex-ministro disse que as acusações são falsas e que tem o objetivo de interferir no processo eleitoral.

A nova frente investigativa do TCU foca também em outras empresas de consultoria que Moro teria ascendência ainda enquanto era juiz da Lava Jato em Curitiba. As suspeitas são investigadas pelo Ministério Público junto ao TCU. Ao fim das apurações, será apresentado um relatório, que poderá ser encaminhado para o Ministério Público Federal e pode acabar no Judiciário.

Aliados de Moro consultados reservadamente pela CNN dizem que o ex-ministro quer priorizar ser eleito neste ano, para garantir direito ao foro especial, caso essas investigações sejam enviadas para o Judiciário. Segundo a Constituição Federal, o foro para investigar e julgar presidente da República, deputado federal ou senador é o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na quinta-feira (31), Moro anunciou que estava deixando o partido Podemos e ingressando no União Brasil. Sua mudança de legenda implicaria, ainda que momentaneamente, na desistência de sua candidatura à Presidência da República. Em princípio, ele deve concorrer a deputado federal.

Outro lado

Procurado pela CNN, Moro disse que sempre pautou sua conduta dentro dos limites legais e afirmou que a são falsas as acusações que estão sendo apuradas no âmbito do TCU.

Eis a íntegra da nota: “a lei, a Constituição e o combate à corrupção sempre pautaram a conduta de Sérgio Moro. É com indignação e surpresa que ele tomou conhecimento pela imprensa da existência de um suposto relatório do Setor de Inteligência do TCU, que ainda está sob sigilo e lhe imputa acusações falsas, sem identificar, contudo, os documentos ou as fontes que teriam dado sustentação ao documento produzido e agora vazado para a imprensa. Moro lamenta ainda a utilização de acusações falsas para interferir indevidamente no processo eleitoral. Assim que tiver acesso à acusação, tomará as devidas providências legais”.

A reportagem procurou a Alvarez & Marsal, que não se manifestou até a publicação dessa reportagem.

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