Prefiro relação com Lula do que com governo anterior, diz Hugo

Presidente da Câmara dos Deputados afirmou que parlamentares eram "coagidos" na gestão antiga

Gabriela Piva, da CNN Brasil, São Paulo
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (12) que prefere a relação com o governo atual de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a que tinha com o governo anterior.

O presidente da Câmara falou que, em gestão anterior, os parlamentares eram "coagidos" para aprovação de projetos de lei. Ele se referia ao período em que as emendas parlamentares não tinham o caráter de obrigatoriedade.

Hugo afirmou que, atualmente, o Congresso é independente em relação ao Poder Executivo. "Quando se trata da relação Executivo-Legislativo, temos tido esse respeito e, de certa forma, dado prioridade às matérias que são importantes para o governo federal. Prefiro muito mais o governo atual que é uma relação de harmonia, de diálogo e de respeito, do que a relação antiga, de quando os parlamentares tinham que ficar com o pires na mão, sendo coagidos pelo governo federal, pelo Poder Executivo, para aprovar as matérias", disse em entrevista a uma rádio de São Paulo.

O presidente da Câmara afirmou que, atualmente, o Congresso é independente com relação ao Poder Executivo. "Penso que essa relação de igualdade ajuda o país e dá condições de as matérias serem tratadas com mais responsabilidade, com igualdade de posições e com condições do debate ser feito sem uma subserviência, sem uma dependência que não atende quem quer que seja", completou.

Escala 6x1

Hugo também comentou a PEC que propõe o fim da escala 6x1 de trabalho. Os congressistas que participam da comissão especial que discute a proposta entendem que a nova regra terá uma escala 5x2, em 40 horas semanais e sem redução nos salários. Atualmente, a escala prevê 44 horas semanais.

O presidente da Câmara disse ter "compromisso com a classe trabalhadora" e que o tema é de interesse nacional. Além disso, ele disse que trabalhadores merecem ter mais qualidade de vida.

"Os trabalhadores, na nossa avaliação, merecem ter um tempo a mais para o convívio familiar, merecem um tempo a mais para cuidar da sua saúde, merecem ter um tempo a mais para o descanso. Com isso, nós tenhamos as condições para que, quando eles estiverem em ambiente de trabalho, possam, de certa forma, produzir mais", completa.

O governo defende que a redução da jornada deve começar a valer “imediatamente” e que não há argumentos para um tempo longo de transição. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o período de transição aceitável seria de 6 meses para que as empresas se adequassem à logística da mudança.

Dosimetria

Hugo comentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender os primeiros pedidos de aplicação da Lei da Dosimetria para condenados do 8 de janeiro. O magistrado alegou que é preciso esperar que o plenário da corte decida sobre as ações que questionam a aplicação da lei.

"O que vamos fazer é nos posicionar nos autos para que aquilo que foi decidido pelo Congresso Nacional venha a ser cumprido no que diz respeito a esses casos do 8 de Janeiro. Vamos defender a aplicabilidade da dosimetria porque esse foi o caminho que foi aprovado por ampla maioria no Congresso Nacional e o veto do presidente também foi derrubado por expressa maioria nas duas casas", disse.

O parlamentar ainda relembrou o período de criação do texto da dosimetria e disse que, como presidente da Câmara, pode ter sido a autoridade mais cobrada com relação ao então projeto de lei.

A Lei da Dosimetria mira beneficiar condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 e Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão no plano de golpe. A proposta estabelece critérios e define percentuais mínimos para o cumprimento da pena e a progressão de regime.