Análise: Lula e Hugo dividem frutos do possível fim da 6x1

Clarissa Oliveira observa que presidente da Câmara e governo federal se beneficiam da tramitação da proposta que altera jornada de trabalho, especialmente em ano eleitoral

Da CNN Brasil
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A priorização da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), representa um movimento político que beneficia tanto o Congresso Nacional quanto o governo federal, especialmente em ano eleitoral.

Segundo a analista política Clarissa Oliveira, existe uma estratégia combinada entre o presidente da Câmara e Lula, permitindo que ambos colham os frutos políticos da proposta que visa reduzir a jornada de trabalho.

"No meu entendimento, o jogo é todo combinado. No fim das contas, essa equação permite que tanto o Congresso Nacional quanto o presidente Lula colham os frutos dessa proposta de reduzir a jornada de trabalho", explica a analista durante o Bastidores CNN desta quarta-feira (15).

A estratégia foi articulada durante um almoço entre Lula e Hugo Motta. Enquanto o presidente enviou um projeto de lei sobre o tema, a Câmara seguirá com a tramitação da PEC. Isso permite que Lula utilize suas redes sociais para mostrar que foi sua caneta que assinou o projeto, ao mesmo tempo em que o Congresso mantém o protagonismo na discussão através da proposta de emenda constitucional.

A proposta de acabar com a escala 6x1 tem grande potencial para gerar votos nas eleições. "Ninguém nunca duvidou que essa ideia de reduzir a jornada vai dar voto na eleição, vai render uma resposta positiva de vários segmentos do eleitorado", afirma a analista.

A analista lembra que quando a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) ressuscitou a ideia do fim da escala 6x1, até mesmo aliados do governo federal demonstraram preocupação com os impactos econômicos da medida.

"É inegável que isso tenha impacto no setor produtivo, para o empresariado, e vai demandar em movimento de compensação por parte do governo federal, algum tipo de desoneração, alguma medida que venha de forma compensatória a isso tudo", obsersa Clarissa.

Apesar da complexidade da tramitação de uma PEC em comparação a um projeto de lei, o interesse político em torno do tema pode acelerar sua aprovação. Hugo Motta consegue transferir para os deputados o crédito pela aprovação da medida, enquanto Lula capitaliza politicamente ao dizer que foi ele quem enviou o assunto ao Congresso.

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