Prisão domiciliar de Bolsonaro: veja o que marcou as primeiras 24 horas

Ex-presidente deve ficar recolhido em casa e pode receber visitas apenas com autorização do STF

Gabriela Boechat e Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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Apreensão de celular de Jair Bolsonaro (PL), forte repercussão no Congresso Nacional e segurança reforçada na Praça dos Três Poderes.

Esses foram alguns dos acontecimentos após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que decretou na noite de segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente.

Saiba, a seguir, como foram as primeiras 24 horas após a decisão.

Por volta das 18h de ontem, a PF (Polícia Federal) cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Bolsonaro, em Brasília, e recolheu o celular do ex-presidente, que será submetido à perícia. Ele está proibido de usar celular e as redes sociais. Também só pode receber visitas com autorização da Suprema Corte.

Mais tarde, na portaria do condomínio, manifestantes se reuniram vestidos com camisetas e bandeiras do Brasil em apoio ao ex-presidente. Em outras regiões da cidade, houve carreatas e buzinaços.

A Polícia Militar chegou a reforçar a segurança na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes, na capital federal.

 

Em nota, os advogados de Bolsonaro afirmaram que ele “cumpriu rigorosamente as medidas cautelares” e que prepara “o recurso cabível” contra a decisão de Moraes.

Momentos após a Polícia Federal deixar a casa do ex-presidente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) fez uma publicação nas redes sociais com um versículo bíblico: “E os céus anunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo é o juiz”, sem mencionar diretamente o episódio.

Conforme apurou a CNN, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) avisou autoridades americanas sobre a prisão do pai. Nos Estados Unidos, o Escritório do Departamento de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental criticou a decisão de Moraes.

Em nota publicada nas redes sociais, o órgão classificou o ministro como “um violador de direitos humanos sancionado pelos EUA” e afirmou que ele estaria “usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia”.

Congresso Nacional

No Congresso, a oposição se mobiliza para reagir. Líderes da direita articulam o retorno do recesso com propostas "anti-STF" e planejam pressionar pela abertura de um processo de impeachment contra Moraes.

Nesta terça-feira (5), senadores e deputados fizeram protestos nos plenários das duas Casas. Os parlamentares usaram adesivos na boca e ocuparam as mesas diretoras.

O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), chegou a dizer que pautaria o projeto de lei que anistia condenados por participação no 8 de janeiro na primeira oportunidade que tiver de ocupar a presidência da Casa.

Em relação aos protestos da oposição no Congresso, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou a atuação dos parlamentares de oposição. Segundo ele, constitui “exercício arbitrário das próprias razões”.

Enquanto isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou o encerramento da sessão desta terça e disse que amanhã chamará uma "reunião de líderes para tratar da pauta, que sempre será definida com base no diálogo e no respeito institucional".

Também na tarde desta terça, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi o primeiro aliado a visitar Bolsonaro, após a decisão de prisão domiciliar. O parlamentar afirmou que foi autorizado pelo ministro relator, Alexandre de Moraes.

"Encontrei este grande brasileiro, esse homem de bem. Não vou dizer que ele não estava triste, mas é uma pessoa que acredita muito no nosso país, em Deus. E eu espero que a gente possa superar o mais rapidamente possível essa situação", afirmou.