PT revê crise econômica de 2015 e minimiza responsabilidade

Na segunda feira (18), o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega se encontrará com empresários a pedido do partido

Caio Junqueira

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A resistência de setores empresariais e do mercado ao PT tem uma explicação: a grave crise econômica do governo Dilma Rousseff. Para driblar esse cenário, uma nova geração de economistas se uniu à velha guarda do partido para apresentar uma versão robusta sobre os eventuais erros da gestão econômica da era Dilma.

Dois livros estão sendo escritos para contar essa história. Um deles por Guilherme Mello e Pedro Rossi, professores de economia da Unicamp –o principal celeiro do pensamento econômico petista. Eles também integram o núcleo de assessoramento de políticas públicas da Fundação Perseu Abramo –centro de estudos ligado ao PT.

A principal tese é de que os erros foram tanto políticos quanto econômicos. Os políticos, em razão da falta de articulação de Dilma Rousseff com o Congresso. E os econômicos, como consequência das decisões tomadas pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

“O primeiro governo Dilma dá continuidade ao governo Lula e ao modelo de crescimento distributivo. […] É a ideia de que o mercado interno e a inclusão social, por meio da distribuição de renda e do aumento de salários, iria gerar um mercado de consumo de massas, um mercado interno, que por sua vez amplia a escala de empresas, aumenta a produtividade e gera crescimento econômico”, disse a CNN Pedro Rossi. Ele completa:

“Agora, 2015 é diferente. 2015 há uma quebra estrutural. O consumo das famílias despenca. O investimento privado despenca ainda mais do que em 2014. E aí há dois motivos que explicam isso: primeiro é uma crise política, uma crise de governabilidade que afeta a economia e afeta a própria gestão econômica. E o segundo motivo é um choque recessivo, é uma economia já fragilizada, um cenário externo adverso.”

Com uma avaliação bem semelhante, Guido Mantega também escreve um livro com a versão dele para a história. Mantega foi ministro da Fazenda do segundo governo Lula e do primeiro de Dilma Rousseff.

“Ela [Dilma] deu, fez um cavalo de pau na política econômica e o eleitorado dela, principalmente de esquerda, se sentiu traído, porque ela fez uma política de aumento de tributos, congelamento de salário mínimo. Enfim, deu uma freada naquele programa e perdeu o apoio da esquerda”, disse.

As teses dos economistas ligados ao PT são contestadas por liberais, que acreditam que a má gestão econômica vem desde a era Lula. Para os críticos, os problemas de administração englobam tanto a macro como a microeconomia. Na visão deles, foi como uma bola de neve sendo construída por 12 anos, que culminou com a recessão de 2015 e 2016 e o impeachment de Dilma.

“Só se o Joaquim fosse um mágico, porque ele entrou no Ministério da Economia no começo de 2015 e a recessão se iniciou no primeiro trimestre de 2014. O que houve foi que entendemos a extensão do estrago fiscal na economia, na verdade, do fim de 2014 pra 2015. Agora os germes disso já estavam presentes na segunda metade do governo Lula, em particular ali no trecho final a partir de 2009/2010″, afirmou à CNN o economista Alexandre Schwartsman.

É exatamente esse tipo de pensamento que o PT tenta afastar da campanha eleitoral deste ano.

“Por exemplo: a ideia de que os governos petistas teriam quebrado o Brasil não encontra amparo nos dados. Se você olhar os dados da dívida pública, o governo reduziu pela metade a dívida pública. Não só reduziu pela metade a dívida pública interna líquida, como ainda acumulou 350 bilhões de dólares em reservas internacionais. Exatamente o que impediu a gente de entrar numa crise de balanço de pagamentos no momento mais grave da nossa história recente, que é após 2016”, afirmou Guilherme Mello a CNN.

Na segunda feira (18), Guido Mantega se encontrará com empresários a pedido do PT. A velha guarda do partido, ao lado da nova geração de economistas, elabora propostas para um eventual novo governo. A grande aposta é retomar os ideais originais petistas, como “mais estado na economia”.

“O estado tem que dar um empurrão na economia, porque o setor privado por si só não está reagindo. Todo mundo sabe que o Lula não faz, não dá cavalo de pau, que o Lula segue as regras, que o Lula quer fazer uma política fiscalmente responsável”, declarou Mantega à CNN.

Procurado, Joaquim Levy não quis se manifestar.

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